Concurso do BRB traz novidade: questões sobre inovação

Em relação aos certames anteriores, conteúdo programático tem mudanças que podem se tornar comuns em seleções futuras

Vinícius Santa Rosa/MetrópolesVinícius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 02/06/2019 8:30

Os concurseiros interessados em trabalhar no Banco de Brasília (BRB) foram surpreendidos com uma disciplina que foge do padrão dos editais. As provas previstas para 18 de agosto terão três questões sobre inovação, 10% dos pontos da avaliação objetiva e ao lado de disciplinas tradicionais, como língua portuguesa e raciocínio lógico.

São oferecidas 100 vagas para o cargo de escriturário de carreira bancária, que exige nível médio de escolaridade. Na lista de tópicos de inovação estão empreendedorismo, autoconhecimento e percepção de oportunidade, processo de inovação, geração de ideia e processo criativo, inovação x invenção e tipos de inovação.

A estranheza está no fato de que, no entendimento comum até aqui, havia uma separação muito rígida: de um lado, o empreendedorismo, as mudanças constantes e os riscos estão no universo da iniciativa privada; do outro, o trabalho burocrático, lento e sem espaço para novidades, no contexto do serviço público.

Incluir inovação, criatividade e autoconhecimento entre os requisitos para ingressar na carreira da empresa pública expõe o que já tem acontecido depois de os concurseiros se tornarem servidores nos projetos de capacitação. Na prática isso significa que, daqui por diante, especialmente em cargos de gestão, esses assuntos – junto com outros, como governança e compliance, que também estão no edital do BRB – passarão a ser mais recorrentes.

Afinal, o propósito da seleção pública é ter em seu quadro profissionais prontos e atualizados para as demandas, em especial nas instituições que lidam diretamente com o competitivo mercado privado, como as empresas públicas e as sociedades de economia mista.

Educação corporativa

As iniciativas voltadas para educação corporativa na administração pública ainda são vistas como novidade, postura bem atrasada se comparada com a do setor privado. Além do propósito de preparar o servidor para as novas demandas, também há o objetivo de incentivar a retenção de talentos e de propiciar oportunidades de crescimento na carreira, que são reconhecidas com as possibilidades de cargos de assessoramento, direção e funções de confiança, cada vez mais raros e disputados.

As empresas públicas e as sociedades de economia mista acumulam mais bagagem e experiência com o aperfeiçoamento de seus empregados. A Petrobras e o Banco do Brasil, por exemplo, têm estruturas próprias para atender a essas demandas.

Quem tem tradição na educação corporativa de maneira mais ampla é a Escola Nacional de Administração Pública (Enap). A instituição está em atividade desde 1990, realizando cursos e programas de capacitação na administração pública federal com propósito de promover o “desenvolvimento e a aplicação de tecnologias de gestão que aumentem a eficácia e a qualidade permanente dos serviços prestados pelo Estado aos cidadãos”.

Entre as ações realizadas estão ações e cursos para desenvolver habilidades de liderança, transformação digital, gestão estratégica, entre outros, em formatos de curta duração, aperfeiçoamento, mestrado e doutorado. Em inovação, existem hoje 12 oportunidades para aprender sobre gestão de tempo e produtividade, design thinking e práticas sistêmicas.

O Ministério da Infraestrutura, por meio da Coordenação de Desenvolvimento de Pessoas, criou um calendário com 20 cursos de formação gratuitos. A agenda foi elaborada a partir da apresentação de propostas dos próprios servidores vinculados à pasta. Foram selecionados treinamentos com duração de três a 40 horas, distribuídos entre março e outubro.

Entre os temas estão assuntos próprios ao ministério, como “Operacionalização de Projetos Ferroviários”, “Técnicas para Promoção de Investimentos em Infraestrutura”, e até o “Workshop de Liderança Feminina” e o “Poder BI” – este último vem da sigla para Business Intelligence, ou inteligência de negócios.

Concurso do BRB

O desafio para os candidatos que participarão do concurso do BRB será aprender as novidades e ir para as provas com os olhos vendados. Afinal, não há questões anteriores sobre inovação e autoconhecimento, e pouco se falou em concursos sobre empreendedorismo. Por outro lado, é possível encontrar, ainda que em pouco volume, perguntas que envolvam governança e compliance.

As inscrições para o concurso do BRB começam em 9 de junho e seguem até 15 de julho. São oferecidas 100 vagas e formação de cadastro de reserva para escriturários. As provas estão agendadas para 18 de agosto, e o Instituto Americano de Desenvolvimento (Iades) é o responsável pelo processo seletivo, que terá duas etapas: provas objetivas e discursivas. A lista de aprovados será válida por um ano, a partir da homologação, e pode ser prorrogada por igual período uma única vez.

A última seleção ocorreu em 2011 e foi organizada pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe). Na ocasião, 47.932 pessoas se inscreveram para disputar o mesmo número de postos do atual concurso, gerando então uma concorrência de 460,27 candidatos por vaga.

O conteúdo programático de quase uma década atrás só cobrou o tópico “governança” aplicado à tecnologia da informação, em conhecimentos específicos do cargo de nível superior da área.