Intensa, atriz e diretora Catarina Accioly volta ao teatro em Salvador
Desde 2012, quando engravidou da menina Gabriela Francisco, Catarina Accioly viu o teatro escoar de sua até então intensa vida de atriz, diretora e produtora. A maternidade ocupou um espaço quase integral dividido com um trabalho de criação de vídeos institucionais para o governo brasileiro. A troca das coxias pela Esplanada fez com que alguns […]
atualizado
Compartilhar notícia

Desde 2012, quando engravidou da menina Gabriela Francisco, Catarina Accioly viu o teatro escoar de sua até então intensa vida de atriz, diretora e produtora. A maternidade ocupou um espaço quase integral dividido com um trabalho de criação de vídeos institucionais para o governo brasileiro.
Meu último papel foi de Cabeluda, na peça “Cabaré das Donzelas Inocentes”, com texto de autoria desse meu interlocutor, Sergio Maggio
Catarina Accioly

A troca das coxias pela Esplanada fez com que alguns projetos fossem adiados e, o tempo livre ficou dedicado ao crescimento da menina. Nesse intervalo, deu tempo para conceber o infanto-juvenil “Dona Bolota e O Segredo da Árvore Encantada”, sempre com Gabi correndo pela sala de ensaio.

Agora, o frisson de uma estreia voltou a arrepiar a espinha da artista visceral. De malas prontas para ir a Salvador, ela prepara-se para abrir as cortinas de “Tecendo Volúpias”, do coletivo As Caixeiras Cia. de Bonecas, montagem na qual Catarina volta ser diretora.
Recebi o convite de Mariana Baeta, uma das atrizes. Elas buscavam uma visão feminina e feminista engajada de uma diretora
Catarina Accioly

De cara, o desafio imposto para Catarina foi a pesquisa desenvolvida pelas atrizes Mariana Baeta, Amara Hurtado e Jirlene Pascoal. Há uma década, elas estudam formas animadas na linguagem do teatro de objetos. Além de entender essa manipulação de coisas que viram outras coisas, a diretora promoveu um profundo debate sobre o tema “Volúpias”, buscando os arquétipos femininos das tragédias, como As Moiras e As Parcas.
O processo de criação foi colaborativo. Improvisamos e escrevemos. Criamos juntas e fomos dando uma visão feminina ao termo volúpia. Coloquei bastante minha experiência como cineasta. É meu primeiro espetáculo adulto depois da maternidade. Em cena, três mulheres no encontro do feminino com diversos tipos de volúpia: a sexual, a alimentar, a idílica, a paranoica, a violenta
Catarina Accioly

O resultado será visto em Salvador, Porto Alegre, São Paulo e Brasília entre novembro e fevereiro de 2017.
Sedenta de arte, Catarina já articula novo projeto de longa-metragem e a retomada na pesquisa sobre a obra Hilda Hilst, que rendeu o excelente espetáculo “A Obscena Senhora D”. Recentemente, filmou um longa-metragem de André Carvalheira, “Triz”.
Agora, voltei à loucura do teatro. De dormir e acordar pensando no espetáculo. Estou arrumando as malas e, antes de ir ao aeroporto, vou correr para uma loja de ferragens para ajustar o cenário
Catarina Accioly
CINCO VEZES CATARINA ACIOLY
1. “Cabaré das Donzelas Inocentes”

Espetáculo estreou em 2009 e seguiu itinerância até 2012. Catarina Accioly fazia Cabeluda, personagem abusada sexualmente pelo pai que comovia a plateia no monólogo em que revelava o assédio. A peça ganhou o Prêmio Myriam Muniz e viajou o país.
2. “A Obscena Senhora D”

A peça era um projeto pessoal de Catarina desde quando conheceu Hilda Hilst. Além de atuar, dirigia e dividia a cena com seu grande companheiro de palco, William Ferreira. A peça venceu o Prêmio Sesc de Teatro Candango e viajou por festivais.
3. “Arlequim, Servidor de Dois Patrões”
Sob direção de Hugo Rodas, Catarina Accioly e grande elenco deram vida ao clássico de Goldoni num trabalho de fisicalidade impressionante. Um dos grandes sucessos do teatro brasiliense na virada do século 21.
4. “Resta Pouco a Dizer”

Catarina Accioly trabalhou nos experimentos de Beckett que consagraram os irmãos Adriano e Fernando Guimaraes.
5. “Álbum Wilde”
O nu de Catarina Accioly na peça correu Brasília e ajudou no boca a boca da montagem de Hugo Rodas.
Tecendo Volúpias
De 10/11 a 12/11, às 20h. No Teatro Nova Gamboa (Rua Gamboa de Cima, 3 – Aflitos, Salvador). Entrada franca.
Dias 23/11, às 20h, e 24/11, às 15h e às 20h. No Auditório Barbosa Lessa – CCCEV (Centro Cultural Erico Veríssimo, Porto Alegre). Entrada franca.
