10 personagens fantásticas criadas por Eloísa Mafalda
Uma das damas da teledramaturgia, atriz se destacou ao criar tipos fortes mesmo em papéis que inicialmente eram menores nas tramas
atualizado
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Há muito tempo os brasileiros sentem a falta de Eloísa Mafalda nas telenovelas. Havia quase 16 anos que o telespectador não rolava de rir ou se emocionava fortemente com essa intérprete cativante. A atriz nunca precisou fazer protagonistas para se tornar uma dama da interpretação. Tinha o dom de elevar as coadjuvantes à condição de primeiro time em qualquer folhetim.
Em mais de 40 produções, é um exercício difícil o de encontrar uma personagem que passou desapercebida pelo crivo de Eloísa. Criadora de tipos, conseguia entender as brechas de cada um de seus papéis para potencializá-los. O Metrópoles elegeu 10 mulheres impactantes na carreira dessa dama das novelas brasileiras:Maria Machadão (Gabriela)
Eloísa Mafalda apoderou-se de uma das personagens mais marcantes na obra de Jorge Amado e deu vida à cafetina do Bataclan, casa de prostituição que hoje é ponto turístico em Ilhéus. Num misto de autoridade e maternidade, construiu a poderosa senhora da terra dos coronéis do cacau, preenchendo um imaginário pouco explorado: o universo dos bordéis. Num erro de escalação histórico, a TV Globo convocou a cantora Ivete Sangalo para o mesmo papel no remake de Walcyr Carrasco. Resultado: a atuação ficou minúscula diante da sombra da Maria Machadão de Eloísa Mafalda. Única.
Dona Pombinha Abelha (Roque Santeiro)
https://www.youtube.com/watch?v=I3e72NnRX9w
Da obra de Dias Gomes, Dona Pombinha Abelha velozmente tomou conta da novela riquíssima de tipos interessantes. Em meio à constelação de estrelas, Eloísa Mafalda seguiu intocável na trama, caminhando entre o humor e o drama. Responsável por cristalizar a moral e a hipocrisia de uma época, a personagem é responsável por cenas memoráveis, como a do enfrentamento com as garotas do cabaré de Matilde. Celebra nesta novela a parceria afinadíssima com Ary Fontoura.
Dona Nenê (A Grande Família)
https://www.youtube.com/watch?v=U7aQ-g8eDTQ
A série moderníssima na tevê brasileira materializou as dubiedades da dona de casa batalhadora numa época em que a mulher era retratada como uma submissa do amor nos folhetins açucarados do horário nobre. Eloísa deu à personagem uma ironia fina à altura dos ótimos diálogos propostos por Vianinha. Mesmo com a interpretação soberba de Marieta Severo décadas depois, a sua Nenê permanece intocável na memória de quem acompanhou o seriado.
Dona Mariana (Paraíso)
Na fase de ouro das novelas das seis, Eloísa Mafalda parou o país com a obcecada Dona Mariana, que queria porque queria transformar a filha numa “santinha”. Eloísa criou uma personagem que caminhava entre a caricatura e a humanidade, levando os espectadores a discutirem os limites da religiosidade.
Dona Celeste (Delegacia de Mulheres)
https://www.youtube.com/watch?v=TIs2QsfzdD4
A série de Maria Adelaide Amaral trouxe Eloísa Mafalda num papel diferenciado, sem aquela carga dramática ou cômica a qual estava acostumada. Cheia de humanidade, a personagem era um importante fio condutor de histórias marcantes envolvendo o universo feminino.
Conceição (Brava Gente)
https://www.youtube.com/watch?v=Vcmc6Z8bEb0
O projeto dramatúrgico adaptou obras literárias para a tevê. Numa delas, Eloísa comoveu o espectador ao lado de Mario Lago, numa interpretação de tom delicado e poético. Casada há 75 anos com Eleutério, Conceição rememora a vida numa cidade que aguarda a morte do casal feliz.
Maria Aparadeira (Saramandaia)
https://www.youtube.com/watch?v=bGUXi8WMwOs
Em outra obra-prima de Dias Gomes, Eloísa brilhou entre personagens fantásticas e intérpretes espetaculares. Em seu núcleo, os tipos eram intensos. O marido Seu Cazuza (Rafael de Carvalho) colocava o coração pela boca e a filha Marcinha (Sónia Braga) tocava fogo nos colchões quando estava excitada. Construiu uma mulher firme que lutava pela moralidade da cidade, mas trazia nas mãos a façanha de ter dado vida à metade da população.
Edite (Brilhante)
https://www.youtube.com/watch?v=T_V4Kq2vwhU
Eloísa fez uma das mais divertidas fofoqueiras da tevê brasileira. A personagem era dona de uma agência de figurantes, permitindo que a atriz desenhasse um perfil próximo às comédias leves numa trama tida como complexa para o horário nobre. Uma situação típica de personagem coadjuvante que cresceu nas mãos da intérprete
Gioconda (Hipertensão)
Numa trama inusitada que apostava nas alegrias da terceira idade, Eloísa entra para movimentar um quarteto “amoroso” com o trio de ouro, formado por Claudio Corrêa e Castro, Paulo Gracindo e Ary Fontoura. A personagem queria fisgar um companheiro e ganhou força com o trabalho sutil de humor da atriz.
Manoela (Mulheres de Areia)
https://www.youtube.com/watch?v=q8gM01s-j1s
No remake de Ivani Ribeiro, Eloísa vendia cachorro-quente e ganhou popularidade ao costurar a trama concentrada em fortes protagonistas. Interessante que, apesar de repetir o tipo fofoqueira, conseguia construir um trabalho singular.
