Metrópoles - O mais acessado do Brasil
Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Spoilers

She-Ra, da Netflix, é uma heroína mais humana, melhor e millennial

O reboot não agradará fãs saudosistas, mas dá um ar de frescor ao clássico de desenho

Luiz Prisco23/11/2018 05:30, atualizado 22/11/2018 17:19
Metrópoles - O mais acessado do Brasil
Compartilhar notícia
Netflix/Divulgação
She-Ra, da Netflix, é uma heroína mais humana, melhor e millennial

O mundo mudou bastante desde 1985. Naturalmente, um reboot de um desenho clássico exibido há 33 anos, precisava de uma atualização. She-Ra: A Princesa do Poder, nova produção da Netflix, atualiza estética e eticamente a atração.

Na trama, dividida em 13 capítulos, algumas coisas seguem iguais: Adora é She-Ra, ela mora em Etéria, luta contra a Horda e invoca seu poder mágico de uma espada gritando seu conhecido mantra  “Pela honra de Greyskull”.

As semelhanças encerram-se aí. Logo de cara, chama a atenção o estilo do desenho: que abandona o pretenso realismo dos anos 1980 e mergulha a personagem no design gráfico de Steven Universo e Hora da Aventura.

O traço não é a única (nem mesmo a principal) novidade deste reboot. A transição millennial da guerreira ocorre, também, em seus dilemas éticos e morais. She-Ra não é aquela heroína formada, dona e segura de todos seus atos. Nem mesmo ostenta a áurea bidimensional (bem x mal), é mais complexa e humana.

She-Ra, da Netflix, é uma heroína mais humana, melhor e millennial - destaque galeria
10 imagens
A relação com Felina é tema central do desenho
O rompimento muda a relação delas....
De amigas, elas viraram rivais
O desenho abandonou o realismo e adotou o estilo de sucessos como Steven Universo
A descoberta da espada muda a vida da guerreira
She-Ra, em sua versão da Netflix, ganhou roupagem millennial
1 de 10

She-Ra, em sua versão da Netflix, ganhou roupagem millennial

Netflix/Divulgação
A relação com Felina é tema central do desenho
2 de 10

A relação com Felina é tema central do desenho

Netflix/Divulgação
O rompimento muda a relação delas....
3 de 10

O rompimento muda a relação delas....

Netflix/Divulgação
De amigas, elas viraram rivais
4 de 10

De amigas, elas viraram rivais

Netflix/Divulgação
O desenho abandonou o realismo e adotou o estilo de sucessos como Steven Universo
5 de 10

O desenho abandonou o realismo e adotou o estilo de sucessos como Steven Universo

Netflix/Divulgação
A descoberta da espada muda a vida da guerreira
6 de 10

A descoberta da espada muda a vida da guerreira

Netflix/Divulgação
Pois ela se transforma em She-Ra
7 de 10

Pois ela se transforma em She-Ra

Netflix/Divulgação
A diversidade entra no desenho: corpos e cores diferentes
8 de 10

A diversidade entra no desenho: corpos e cores diferentes

A vilã Sombria
9 de 10

A vilã Sombria

Netflix/Divulgação
She-Ra, da Netflix, é uma heroína mais humana, melhor e millennial - imagem 10
10 de 10

De início, trata-se de uma adolescente que, ao descobrir seus poderes mágicos, passa a se questionar sobre sua origem. Criada nas fileiras da Horda, Adora luta contra a própria consciência ao decidir abandonar o regime ditatorial de Hordak e Sombria para lutar ao lado da Rebelião e suas princesas.

Como jovem, Adora se encanta com os poderes de She-ra. E passa a tentar entender seu papel na guerra que ocorre em Etérnia. É aqui que o desenho desenvolvido por Noelle Stevenson acerta mais: mergulha a trama de fantasia em um contexto atual, de questionamentos emocionais, humanos e reais.

As escolhas de Adora – abandonar suas origens, rebelar-se contra amigos de longa data, lutar por novos objetivos – deixam marcas físicas e emocionais. Tudo isso muito bem elaborado pelo roteiro da obra.

Tem para todo mundo
É impossível não falar do critério inclusivo do programa. As princesas aparecem em todos os tipos de corpo (magras, altas, baixas, gordas…) e etnias (asiáticas, negras, brancas). O próprio Arqueiro abandona o estilo Village People e ressurge como um jovem negro. Ponto positivo!

A relação “amiga-rival” com Felina, inclusive, foi vista por alguns como uma sutil referência a um romance LGBT. As duas dormiam juntas e a separação parece deixar fortes marcas em Adora e na nova capitã da Horda.

O reboot da Netflix acerta em cheio ao trazer She-Ra para o mundo atual, dialogando com problemas e questões da nova geração millennial. Fãs saudosistas podem não gostar, mas vemos uma heroína muito mais completa 33 anos depois.

Avaliação: Ótimo