São Paulo encontra um reluzente pontinho na noite portenha
Empate com o campeão River Plate em Buenos Aires permite tempo para o time de Edgardo Bauza
atualizado
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Edgardo Bauza chegou ao Brasil ainda outro dia, na semana do Natal, mas já deve ter percebido que não existe nada mais precioso para um treinador no futebol brasileiro do que um bocadinho de tempo. Foi apresentado pelo São Paulo e mal teve tempo para desfazer a mala. Já tinha dois compromissos importantes no classificatório da Taça Libertadores da América e, bem pior, tinha um elenco em pé de guerra com a diretoria.
Entrado em março, o processo de fritura de mais um treinador já se fazia sentir nos ares do Morumbi. O antecessor do argentino Patón Bauza, o colombiano Juan Carlos Osorio, não durou muito mais do que isso por ali. Quatro meses foram o suficiente para ele pedir o boné e aceitar, com mal disfarçado alívio, o convite para assumir a Seleção Mexicana.
Certeza que Patón já estava olhando os arredores da Libertas com mais carinho. Na última semana, circulou na imprensa desportiva paulistana a informação de que clubes sul-americanos tinham dado oi e mandado cartinhas para o treinador argentino. O camarada tem moral no continente, campeão da Libertas por LDU e San Lorenzo. Mui possivelmente se encaixaria ligeiro em outro clube por aí.
Mas a noite de ontem em Buenos Aires foi o primeiro momento de respiro para Bauza desde a infame derrota para The Strongest no Pacaembu (0 x 1). Longas três de semanas. O empate diante do River Plate, dentro do Monumental de Núñez (1 x 1), abrindo agora para o São Paulo expectativas matemáticas e psicológicas de engrandecimento ao longo da Libertadores.
Este foi um pontinho assaz importante. Empresta luz a um panorama antes funesto. Agora o São Paulo faz dois jogos seguidos com o Trujillanos – 16/3 na Venezuela e 6/4 aqui no Brasil – e tem a possibilidade real de colocar mais seis pontos no balaio. Para então decidir a sorte no certame ao reencontrar o River Plate (13/4), desta vez, dentro do Morumbi.
Ou seja, basta consultar a folhinha para perceber que Bauza e o São Paulo ganharam um mês na noite de ontem.

Um pito dos cartolas, um afago no Ganso
Para botar uma pilha na viagem a Buenos Aires, a diretoria do São Paulo se manifestou publicamente ao esclarecer que os salários e direitos de imagem estão em dia. O atraso de pagamento tinha sido um recente e especialmente notável episódio na permanente crise tricolor. Portanto, concluíram os dirigentes, com a grana em dia, seria bacana que os jogadores demonstrassem em campo algum comprometimento com a camisa.
A estratégia de Bauza para a noite de ontem foi um pouco mais sutil. Depois de manejar e remanejar suas peças em escalações várias, ele definiu a zaga com os camaradas mais experientes que tem em mãos. Diego Lugano ao lado de Maicon. O jovem Rodrigo Caio, muito visado por torcedores e mesmo dirigentes, ficou de fora. Caio e Lugano tinham igualmente vacilado na derrota para o São Bernardo, pelo Paulista. Mas Lugano precisava realmente continuar no time, nem que fosse para fazer valer em campo sua liderança fora dele, nem que fosse para virar o pára-raios das broncas em um possível revés.
Não era um jogo para juvenis. O mesmo pensamento que fez Bauza bancar Lugano na zaga, fez bancar também Jonathan Calleri e Ricardo Centurión no ataque. Ex-jogador do Boca, Calleri não teria risco de se impressionar em demasia com a hinchada do River Plate. Esteve bem no Monumental, ainda que tenha sido vítima de um time que ainda não consegue armar jogadas em quantidade.
Até por isso, o gol tricolor que abriu o placar saiu numa eventual bola parada. Por sorte, a pelota espirrou na área e caiu bem em cima do Paulo Henrique Ganso. Se Ganso não corre até a bola, a bola cai no pé de Ganso. Sem precisar se movimentar, ele apenas pegou de primeira.
Na saída do Monumental, Bauza elogiou Ganso. Disse ter ficado bem feliz pelo rapaz ter marcado gol pelo terceiro jogo seguido. Patón já percebeu que tem que tratar bem o Ganso, elogiá-lo publicamente sempre que possível, para mantê-lo próximo a si. Com o tempo, o treinador vai percebendo o jeito de cada jogador. Tempo é o que ele mais precisa.
