Livro que cita Marielle Franco não poderá mais ser retirado de escolas
Justiça decide que livro com capítulo sobre Marielle Franco retornará às bibliotecas e salas de leitura das escolas de São José dos Campos

O livro “Meninas Sonhadoras, Mulheres Cientistas”, que retrata personalidades como a Marielle Franco, terá de voltar às bibliotecas e salas de leitura das escolas municipais de São José dos Campos, no interior de São Paulo. A obra havia sido retirada da rede após críticas de um vereador, mas a Vara da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça paulista (TJSP) determinou seu retorno e proibiu um novo recolhimento por motivos político-ideológicos.
A decisão é resultado de uma ação movida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e Defensoria Pública. Os órgãos afirmaram que a retirada do livro das escolas representou um caso de censura e prejudicou o acesso dos alunos ao material pedagógico.
O livro foi recolhido em junho de 2024, logo após um vereador criticar publicamente a obra. Na época, o parlamentar afirmou que o conteúdo era inadequado para crianças e acusou o material de promover “doutrinação ideológica” e “apologia ao aborto”. As críticas eram direcionadas, entre outros pontos, aos trechos sobre a vereadora Marielle Franco e a antropóloga Débora Diniz.
Sem motivo pedagógico
Durante a investigação, professores contaram que o livro havia sido comprado pela própria Secretaria Municipal de Educação e já era usado normalmente em atividades escolares, sem qualquer registro de problemas. Segundo o Ministério Público, a ordem para retirar os exemplares foi enviada aos diretores das escolas por mensagens de WhatsApp, sem uma justificativa técnica da área da educação.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAo analisar o caso, a juíza entendeu que a prefeitura decidiu retirar o livro por causa da pressão política e só depois apresentou uma justificativa oficial para a medida. Para a magistrada, não houve um motivo pedagógico que explicasse o recolhimento da obra.
Por isso, a Justiça determinou que o livro volte às bibliotecas e salas de leitura das escolas municipais. A decisão também proíbe que a obra seja novamente retirada ou tenha o acesso restringido por motivos político-ideológicos. Caso a determinação seja descumprida, a prefeitura poderá pagar multa diária de R$ 500, limitada inicialmente a R$ 50 mil.



