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Vitamina D pode ajudar no tratamento de doença crônica do fígado

Estudo sul-coreano mostra que o suplemento reduz inflamação e fibrose no fígado ao ativar proteína envolvida na resposta celular

atualizado

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Ilustração mostra um fígado feito de linha - Metrópoles
1 de 1 Ilustração mostra um fígado feito de linha - Metrópoles - Foto: Getty Images

A vitamina D, mais conhecida por seu papel na saúde dos ossos, pode também ter um efeito protetor importante sobre o fígado.

Um estudo recente da Universidade Nacional de Chungnam, na Coreia do Sul, mostrou que o suplemento reduz os danos provocados pela doença hepática crônica (DHC) ao ativar uma proteína específica nas células dos ductos biliares, chamadas colangiócitos.

A doença hepática crônica afeta cerca de 1,5 bilhão de pessoas no mundo. Na maioria dos casos, progride de forma silenciosa e só é descoberta em estágios mais avançados, quando pode evoluir para cirrose ou câncer.

Como o transplante de fígado ainda é a única opção em muitos casos, buscar formas de frear o avanço da doença se tornou uma prioridade para a ciência.

Proteção celular contra a inflamação

No estudo, publicado em maio na revista Nature Communications, os pesquisadores observaram que pacientes com baixos níveis de vitamina D apresentavam uma resposta mais intensa às lesões no fígado. Essa reação incluía uma proliferação exagerada dos colangiócitos — células que tentam reparar o órgão, mas que, quando ativadas por muito tempo, acabam contribuindo para inflamação e fibrose.

“Nossos dados mostram que níveis baixos de vitamina D estão associados a uma reação ductular mais severa em pacientes com doença hepática crônica”, afirmou o professor Hyo-Jung Kwon, líder do estudo, em comunicado.

Nos testes com camundongos, a vitamina D aumentou a produção de TXNIP, uma proteína que ajuda a regular a resposta celular ao estresse. Quando essa proteína foi bloqueada, a inflamação se intensificou e houve maior acúmulo de colágeno, marcador da progressão da fibrose.

Pesquisa ainda será testada em humanos

Os cientistas também observaram, em experimentos de laboratório, que a falta de TXNIP leva os colangiócitos a secretarem substâncias inflamatórias como TNF-α e TGF-β. Isso ativa outras células do fígado e agrava o quadro inflamatório. A descoberta aponta para um novo alvo terapêutico.

“Nossos dados pré-clínicos revelam um novo mecanismo pelo qual a suplementação de vitamina D melhora as doenças hepáticas crônicas. O eixo vitamina D/TXNIP pode ser um alvo promissor para o tratamento da reação ductular e da progressão da fibrose”, diz Kwon.

Embora os resultados sejam promissores, o grupo alerta que mais estudos são necessários antes que a vitamina D possa ser indicada como tratamento complementar. Se os efeitos forem confirmados em humanos, o suplemento pode se tornar uma alternativa segura e acessível para milhões de pessoas no mundo todo.

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