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Saúde

Suplementos de vitamina D nem sempre ajudam a evitar quedas em idosos

Revisão publicada em 20 de maio no The BMJ questiona uso rotineiro de cálcio e vitamina D para prevenir fraturas

21/05/2026 11:29
jcomp/Freepik
A mão de uma mulher despeja os comprimidos do frasco. Metrópoles

Tomar suplementos de cálcio, vitamina D ou a combinação dos dois pode não trazer os benefícios esperados para prevenir quedas e fraturas em idosos. É o que aponta uma revisão internacional publicada nessa quarta-feira (20/5) no periódico The BMJ, que analisou dezenas de estudos realizados ao longo dos últimos anos.

As quedas são um dos principais problemas de saúde entre pessoas mais velhas. Estima-se que quase um terço dos idosos com mais de 65 anos sofra pelo menos uma queda por ano, muitas vezes acompanhada de fraturas que comprometem a mobilidade, aumentam a dor e reduzem a qualidade de vida.

Por causa disso, suplementos de cálcio e vitamina D passaram a ser recomendados para fortalecer os ossos e diminuir esse risco. Os novos resultados colocam em dúvida a eficácia dessa estratégia para a maioria da população idosa.

O que mostrou a revisão

Os pesquisadores reuniram dados de 69 ensaios clínicos randomizados envolvendo 153.902 adultos mais velhos. Os estudos compararam o uso de cálcio, vitamina D ou ambos com placebo ou ausência de tratamento.

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Após analisar os resultados, a equipe concluiu que os suplementos tiveram pouco ou nenhum efeito relevante na prevenção de fraturas e quedas.

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No caso da vitamina D isolada, por exemplo, os dados vieram de 36 estudos com mais de 92 mil participantes. Já a combinação de cálcio e vitamina D foi avaliada em 15 ensaios clínicos com mais de 51 mil pessoas.

Segundo os autores, os resultados permaneceram semelhantes mesmo quando foram consideradas diferenças como idade, sexo, histórico de quedas e ingestão de cálcio na alimentação.

Os pesquisadores afirmam que as evidências atuais “não apoiam a suplementação rotineira com cálcio ou vitamina D” para prevenir fraturas e quedas em idosos.

Quem pode ficar fora dessa conclusão

Apesar disso, os cientistas alertam que os resultados não devem ser generalizados para todos os casos. Pessoas com doenças ósseas específicas ou que fazem tratamento para osteoporose podem ter necessidades diferentes.

Os autores também reconhecem que algumas análises incluíram poucos estudos e um número menor de participantes, o que exige cautela na interpretação dos dados.

Ainda assim, eles defendem que médicos e órgãos responsáveis por diretrizes de saúde reconsiderem as recomendações amplas para suplementação desses nutrientes.

Em um editorial publicado junto à revisão, especialistas afirmam que os investimentos e esforços podem ser mais úteis em estratégias já comprovadas para prevenir quedas, como exercícios de equilíbrio, fortalecimento muscular e programas personalizados de acompanhamento para idosos.