Vitamina D pode ajudar a prevenir diabetes? Resposta depende dos genes
Estudo aponta que a vitamina D pode ajudar a retardar a evolução da pré-diabetes, mas depende da genética do paciente
atualizado
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Um novo estudo indica que a vitamina D pode ajudar a adiar ou prevenir a progressão da pré-diabetes para a diabetes tipo 2, mas apenas em pessoas com determinadas variações genéticas. A descoberta, publicada na revista científica JAMA Network Open nessa quinta-feira (23/4), sugere que, no futuro, testes genéticos poderão ajudar a orientar cuidados médicos mais personalizados para adultos com alto risco de desenvolver a doença.
Os pesquisadores analisaram dados do estudo D2d, um grande ensaio clínico realizado em vários centros nos Estados Unidos. A pesquisa testou o efeito de 4 mil unidades internacionais (UI) de vitamina D por dia em mais de 2 mil adultos norte-americanos com pré-diabetes em comparação com pessoas que usaram um placebo.
O objetivo era avaliar se uma dose diária elevada de vitamina D reduziria a chance de esses indivíduos, considerados de alto risco, desenvolverem diabetes.
“Os resultados levantaram uma questão importante: a vitamina D ainda poderia beneficiar algumas pessoas? A diabetes tem muitas complicações graves que se desenvolvem lentamente ao longo dos anos. Se conseguirmos atrasar o período em que uma pessoa viverá com diabetes, podemos evitar alguns desses efeitos prejudiciais ou reduzir sua gravidade”, detalha a autora principal do estudo e cientista sênior do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Bess Dawson-Hughes, em comunicado.
Genes podem explicar diferença na resposta
Os pesquisadores queriam entender se diferenças genéticas no receptor poderiam explicar por que algumas pessoas se beneficiam da vitamina D, enquanto outras não. As células produtoras de insulina no pâncreas têm receptores de vitamina D, o que sugere que a vitamina pode influenciar a liberação de insulina e o controle do açúcar no sangue.
Para o novo estudo, foram analisados os dados genéticos de 2.098 participantes do ensaio clínico que consentiram com testes de DNA. Os cientistas dividiram os participantes em dois grupos: aqueles que pareciam se beneficiar da suplementação de vitamina D e aqueles que não apresentaram melhora.
Em seguida, compararam as respostas em subgrupos de pacientes classificados de acordo com três variações comuns no gene do receptor de vitamina D.
A análise revelou que adultos com a variação AA do gene receptor de vitamina D ApaI — cerca de 30% da população estudada — não responderam ao tratamento diário com dose elevada de vitamina D, em comparação com o placebo.
Em contraste, adultos com as variações AC ou CC do mesmo gene apresentaram risco significativamente menor de desenvolver diabetes ao receberem o tratamento com vitamina D, em comparação com aqueles que tomaram placebo.
Suplementação não pode ser feita por conta própria
Os autores alertam, no entanto, que os resultados não significam que as pessoas devam começar a tomar altas doses de vitamina D por conta própria para prevenir diabetes.
“Nossos achados sugerem que, no futuro, talvez seja possível identificar quais pacientes com pré-diabetes têm maior chance de se beneficiar da suplementação adicional de vitamina D”, afirma Bess. “Em princípio, isso poderia envolver um único teste genético, relativamente barato.”
As diretrizes atuais recomendam 600 UI por dia para pessoas de 1 a 70 anos e 800 UI por dia para maiores de 70 anos. O consumo excessivo de vitamina D pode ser prejudicial e já foi associado ao aumento do risco de quedas e fraturas em idosos. Mais pesquisas são necessárias para entender melhor quais indivíduos poderiam se beneficiar de uma dose diária mais alta.
