Após dois cânceres, freira tem rotina completamente modificada

Após colostomia, leucemia e transplante, paciente se adapta a nova rotina com insulina e acompanhamento contínuo

atualizado

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Foto colorida de mulher ao ar livre, vestida de branco - Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida de mulher ao ar livre, vestida de branco - Metrópoles. - Foto: Arquivo Pessoal

A história da freira pernambucana, Alciane Maria da Silva, de 40 anos, nascida em Recife, é marcada por uma sucessão de diagnósticos graves que transformaram completamente sua rotina ao longo dos últimos anos.

O primeiro deles foi um câncer de intestino, diagnosticado há sete anos, que levou à realização de uma colostomia — condição permanente que exige adaptação física e emocional.

Depois de um período de recuperação e tentativa de retomada da normalidade, novos sinais começaram a surgir. Cansaço extremo, fraqueza e falta de disposição passaram a fazer parte do dia a dia até que um episódio de desmaio levou Alciane novamente ao hospital.

“Antes de ser diagnosticada eu sentia muita fraqueza, sem vontade nenhuma de fazer minhas atividades normais, até que tive um desmaio e fui levada ao hospital”, conta.

Exames confirmaram um novo quadro: Leucemia Mieloide Aguda (LMA), um tipo agressivo de câncer do sangue que exige tratamento imediato. Com essa identificação, ela  iniciou rapidamente o tratamento oncológico.

Foram 12 sessões de quimioterapia e duas de radioterapia, em um processo considerado agressivo, mas necessário para conter a progressão da doença. Diante da resposta clínica, surgiu a necessidade de um transplante de medula óssea.

Ela entrou no banco de doadores e, após seis meses de espera, encontrou compatibilidade de 80% — condição que possibilitou o procedimento. Segundo a onco-hematologista Sabrina Brant, do Hospital Sírio-Libanês, a situação é mais comum do que parece.

“Na maioria dos casos, câncer de intestino e leucemia mieloide aguda ocorrem de forma independente. No entanto, alguns pacientes podem desenvolver uma segunda neoplasia hematológica após tratamentos oncológicos prévios.”

A especialista explica que terapias como quimioterapia e radioterapia, embora essenciais, podem estar associadas a riscos tardios. “Alguns tipos de quimioterapia e a radioterapia podem aumentar o risco de leucemias secundárias. Esse risco é relativamente raro, mas conhecido na oncologia.”

Remissão, reconstrução e adaptação

Sobre o transplante, a especialista destaca que esse tipo de procedimento parcialmente compatível, representa hoje uma alternativa importante e viável, mesmo com algumas particularidades e riscos que vêm sendo reduzidos com protocolos mais modernos.

Após o transplante e o fim do tratamento, Alciane entrou em remissão e começou um novo capítulo. Mesmo convivendo com a ostomia (procedimento cirúrgico que cria uma abertura no abdômen para eliminar fezes ou urina), conseguiu retomar as atividades do dia a dia, incluindo o trabalho com crianças e adolescentes na Capela nossa senhora da Providência, no Jardim Lago Azul, Novo Gama, Goiás.

O acompanhamento médico nesses casos, no entanto, permanece essencial. Pacientes que passam por leucemia e transplante precisam de monitoramento contínuo para identificar sinais precoces de recaída, além de possíveis efeitos tardios do tratamento.

Um novo desafio: a diabetes tipo 2

Quando a fase oncológica parecia superada, um novo diagnóstico surgiu: a diabetes tipo 2. Há cerca de seis meses, ela passou a fazer uso de insulina três vezes ao dia — mudança que exigiu adaptações e ajustes em sua rotina.

“Nos primeiros meses usando insulina, eu passava muito mal. Agora estou me adaptando melhor ao novo modo de vida”, relata.

De acordo com Sabrina Brant, o surgimento da doença pode ter relação com o histórico clínico. “Alguns medicamentos utilizados durante o tratamento oncológico e após o transplante — especialmente corticoides e imunossupressores — podem favorecer o desenvolvimento de diabetes.” Além disso, o estresse metabólico causado por doenças graves também pode contribuir para alterações no controle da glicose.

Conviver com múltiplas condições de saúde exige acompanhamento constante e uma abordagem multidisciplinar. Mesmo assim, muitos pacientes conseguem manter qualidade de vida e autonomia.

A rotina de Alciane hoje inclui cuidados com a saúde, alimentação e momentos de espiritualidade — aspecto que, segundo ela, tem papel central no enfrentamento das dificuldades.

“Vivo a vida com muita alegria e entusiasmo. A oração é o que me move e faz toda a diferença no meu dia a dia”, relata. A trajetória da freira beneditina mostra que, mesmo diante de diagnósticos complexos e sucessivos, é possível reconstruir a vida com adaptação, acompanhamento médico adequado e apoio emocional.

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