Veja as principais causas de aborto espontâneo, como o sofrido por Meghan Markle

Duquesa de Sussex divulgou, nesta quarta (25/11), que perdeu o segundo filho em julho deste ano

atualizado 25/11/2020 14:03

meghan markleSamir Hussein/Getty Images

Nesta quarta-feira (25/11), a duquesa de Sussex, Meghan Markle, publicou um artigo no jornal The New York Times contando que sofreu um aborto espontâneo em julho deste ano. A atriz relatou que sentiu uma dor “quase insuportável” e destacou que, apesar de muitas mulheres passarem por isso, o assunto ainda é um tabu.

O aborto espontâneo acontece quando o feto morre antes das 22 semanas de gestação, sem que haja nenhuma intervenção para interromper a gravidez. A dor abdominal forte e o sangramento vaginal são os principais sintomas de um aborto espontâneo.

As causas do aborto de Meghan não foram divulgadas, mas a situação é comum e pode acontecer por várias razões, que envolvem desde alterações relacionadas com o sistema imunológico ou na formação do embrião até o abuso de substâncias.

 

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Principais causas do aborto espontâneo

A situação pode ocorrer com qualquer mulher grávida que esteja no início da gestação:

1. Problemas no útero

A formação do útero da mulher é responsável por até 10% dos abortos que ocorrem de forma espontânea. Dentro destas alterações, a mais comum é a insuficiência do istmo-cervical, que acontece quando o colo do útero não se forma da maneira adequada.

Como tratar: Em alguns casos pode ser preciso realizar uma cirurgia para melhorar a anatomia do útero, permitindo uma gravidez saudável até o nascimento do bebê.

2. Alterações hormonais

A falta de progesterona é a causa mais comum quando a razão para o aborto é hormonal. Ela costuma acontecer quando a mulher usa medicamentos hormonais sem orientação médica durante a gestação.

Como tratar: Nesse caso é recomendado que o ginecologista seja consultado para indicar remédios que ajudem a regular a quantidade de progesterona na corrente sanguínea. É importante que o tratamento seja feito de acordo com a orientação médica para evitar que aconteça outro aborto em uma futura gestação.

3. Doenças na tireoide

As alterações da tireoide também podem favorecer a ocorrência do aborto espontâneo. Os hormônios produzidos pela tireoide coordenam vários processos metabólicos no organismo. Assim, quando há alterações devido ao hipo ou hipertireoidismo pode haver não só dificuldade para engravidar, mas também maiores chances de aborto.

Como tratar: É importante que a alteração na tireoide seja identificada para que o endocrinologista possa indicar medicamentos que ajudem a regular os hormônios circulantes, diminuindo o risco de acontecer o aborto e favorecendo o desenvolvimento normal da gravidez.

4. Síndrome dos ovários policísticos

As mulheres que possuem a síndrome do ovário policístico têm maior dificuldade para ovular e podem não ovular todos os meses. Além disso, elas têm maior chance de ter aborto espontâneo, já que a produção dos hormônios relacionados com a gravidez é prejudicada.

Como tratar: É importante que se siga o tratamento indicado pelo médico para tratar a síndrome e evitar o aborto. Alguns estudos relatam que tomar metformina durante a gestação pode ser útil para evitar um novo aborto, mas sempre sob indicação do obstetra que acompanha a gestação.

5. Alterações no cromossomo

Quando os cromossomos herdados do pai e da mãe dão origem a um embrião com alguma alteração cromossômica, o corpo da mulher pode rejeitá-lo, levando ao aborto espontâneo. Neste caso, o pai e a mãe estão bem de saúde e não encontram nenhuma razão para a perda do bebê. Esta é a causa de até 50% dos abortos espontâneos.

Como tratar: Se a mulher tiver mais de 2 abortos espontâneos, é indicado que o casal faça exames para tentar identificar a causa da repetição.

6. Infeções causadas por vírus ou bactérias

Algumas doenças infecciosas, como clamídia, sífilis, micoplasma e toxoplasmose também podem levar à ocorrência de um aborto espontâneo durante a gestação.

Como tratar: É importante que sejam feitos exames para identificar qual o microrganismo responsável pela infecção para que possa ser iniciado o tratamento adequado, que normalmente, envolve o uso de antibióticos para combater a infecção e evitar o aborto.

7. Álcool, cigarro e café em excesso

O consumo exagerado de bebidas alcoólicas durante a gestação, a exposição à fumaça do cigarro e o consumo excessivo de alimentos ricos em cafeína também podem estar relacionados a ocorrência do aborto espontâneo. A quantidade ideal de cafeína que pode ser consumida na gestação não deve ser maior que 4 xícaras de café expresso por dia.

Como tratar: Nesse caso, para afastar o risco do aborto espontâneo é importante evitar o consumo de grandes quantidades de café durante o dia, o uso de bebidas alcoólicas e o tabagismo durante a gravidez.

8. Doença autoimune

Quando o pai possui alguma doença autoimune existe um maior risco de aborto, mesmo que o casal tenha uma boa saúde e esteja com todos os exames normais. Neste caso, o corpo da mulher reage à presença do embrião como um ser estranho, que começa a ser atacado, levando ao aborto.

Como tratar: O tratamento pode ser feito com um tipo de vacina preparada especificamente para cada mulher, contendo partes do sangue do parceiro. A mulher recebe estas vacinas 2 ou 3 vezes e faz exames para saber quando o corpo já não reagirá às células do homem e, desta maneira, fica apta para uma nova tentativa de gravidez.

9. Uso de remédios

Tomar remédios sem orientação médica também pode causar aborto. Por isso, em caso de dores ou desconfortos, a paciente deve-se informar o obstetra sobre qual é a medicação adequada. Fórmulas caseiras ou chás também são contraindicados pois podem induzir o aborto espontâneo.

Como tratar: Não tomar remédios sem orientação médica, especialmente se está grávida ou tentando engravidar.

10. Baixo peso ou obesidade

Quando a mulher está muito abaixo ou muito acima do peso, o risco de aborto também tende a aumentar.

Como tratar: É importante que a mulher seja acompanhada por um nutricionista para saber como se alimentar corretamente, garantir o bom desenvolvimento fetal e evitar o aborto.

O que fazer em caso de suspeita de aborto

No caso da gestante apresentar sinais e sintomas como dor abdominal intensa e perda de sangue pela vagina, especialmente após o contato íntimo, é recomendado ir ao médico para realizar exames de ultrassom e verificar se o bebê e a placenta estão bem.

O médico poderá indicar que a mulher fique de repouso e evite o contato íntimo por 15 dias, mas também pode ser preciso tomar remédios analgésicos e antiespasmódicos para relaxar o útero e evitar as contrações que levam ao aborto.

O tratamento varia conforme o tipo de aborto que a mulher sofreu, podendo ser:

Aborto completo

Ocorre quando o feto morre e é completamente eliminado do útero — neste caso não é necessário realizar nenhum tratamento específico. O médico poderá fazer uma ultrassonografia para verificar o estado do útero e aconselhar uma consulta com psicólogo. Quando ela já sofreu um aborto espontâneo anteriormente pode ser preciso fazer exames mais específicos para tentar encontrar a causa e evitar que aconteça novamente.

Aborto incompleto

Ocorre quando o feto morre, mas não é totalmente eliminado. Havendo restos fetais ou da placenta dentro do útero da mulher, o médico pode indicar o uso de remédios para eliminação completa e realizar uma curetagem ou aspiração manual ou com vácuo para remover os restos de tecidos, prevenindo infecções.

Quando há sinais de infeção uterina como odor fétido, corrimento vaginal, intensa dor abdominal, batimento cardíaco acelerado e febre, o que normalmente é causado por abortos provocados de forma clandestina, o médico pode prescrever antibióticos em forma de injeção e raspagem uterina. Nos casos mais graves, pode ser necessário retirar o útero.

Quando engravidar novamente

Após sofrer um aborto a mulher deve receber apoio psicológico profissional, da família e dos amigos para se recuperar emocionalmente do trauma causado pela perda do bebê.

A mulher poderá voltar a tentar engravidar 3 meses após o aborto. É recomendado que se espere a menstruação voltar ao normal, tendo pelo menos 2 ciclos menstruais antes de tentar uma nova gravidez. (Com informações do portal Tua Saúde)

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