Veja passo a passo e entenda como deve ser feito o autoteste de Covid

Exame antígeno deve estar disponível em breve no Brasil. Ministério da Saúde segue em negociação com a Anvisa

atualizado 12/01/2022 18:56

autoteste de covid-19Getty Images

O Ministério da Saúde vai solicitar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ainda nesta semana, uma autorização para o uso de autoteste de Covid-19 no Brasil. Atualmente, a venda do exame para ser feito em casa não é liberada no país, entretanto, os técnicos da pasta acreditam que os exames à domicílio podem ser importantes para o controle da variante Ômicron.

Na última semana, a Anvisa emitiu uma nota propondo que o Ministério da Saúde avalie a criação de estratégias para que se iniciem as vendas do autoteste. Diante da eminência da liberação, muitos brasileiros ainda não sabem o que é o exame e nem como realizá-lo corretamente.

“Para a adoção de uma eventual política pública que possibilite o uso de autoteste para Covid-19, é fundamental considerar os fatores humanos e a usabilidade do produto, medidas de segurança, limitações, advertências, cuidados quanto ao armazenamento e condições ambientais no local que será utilizado, dentre outros aspectos”, afirma a Anvisa em nota.

O que é o autoteste da Covid-19

O autoteste para Covid-19 é um exame de antígeno realizado pela própria pessoa em sua casa por meio da coleta do material no nariz com cotonete ou por saliva. O resultado sai em cerca de 15 minutos. A rapidez pode ser explicada pelo mecanismo utilizado pelo teste para identificar ou não a presença do vírus nas amostras.

O teste de antígeno busca proteínas características da superfície do coronavírus. O exame é composto de anticorpos capazes de identificar estas proteínas. Ao encontrá-las, o teste dá positivo.

De acordo com especialistas, o teste é eficaz quando o paciente está nos primeiros dias de infecção, apresentando os primeiros sintomas. Se o resultado der positivo, a pessoa está com Covid-19. Mas se for negativo, é preciso continuar investigando, principalmente se o paciente tiver tido contato com outra pessoa infectada.

Passo a passo para fazer o autoteste em casa

Existem várias marcas de autotestes Covid-19 no mundo, e não sabemos quais produtos serão liberados para uso no Brasil. No entanto, as etapas passo a passo abaixo são descritas na maioria dos exames domiciliares para detectar a presença do coronavírus:

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Autoteste no controle da Ômicron

Com pouco mais de 40 dias circulando no Brasil, a variante Ômicron já é a principal cepa infectante no país. Segundo o secretário Rodrigo Cruz, a autorização do autoteste para diagnóstico da doença pode ser mais uma ferramenta a ser usada contra a disseminação da variante Ômicron.

O infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que, na situação atual da pandemia no Brasil, o autoteste seria uma ferramenta a mais para ajudar a população na hora do diagnóstico. “Isso poderia fazer com que o próprio indivíduo já se isole diante de um resultado positivo, interrompendo a cadeia de transmissão e procurando o pronto atendimento, congestionado com casos de Covid-19 e de influenza, somente em caso de alerta”, opina o médico.

Ele considera que tendo o teste em casa e acompanhando possíveis infecções, a população também evitaria ir a centros de testagem e laboratórios, diminuindo a demanda e evitando aglomerações no local de exame. Com a alta nos casos, postos de saúde e até a rede particular têm registrado filas de horas para fazer o teste.

A professora de imunologia Andrea Maranhão, da Universidade de Brasília (UnB), acredita que o autoteste seria muito importante principalmente para informar as pessoas se elas são ou não um vetor do espalhamento do vírus. “Acho que seria válido nesse sentido, muito mais do que para controle epidemiológico. Também precisamos levar em consideração que, apesar de o exame ser simples, o indivíduo precisa de um certo preparo para fazê-lo sozinho”, explica.

Ela diz ser favorável ao uso do teste feito em casa, desde que ele seja implementado junto a uma campanha de esclarecimento que ensine a população a usar o produto e o que fazer caso o teste dê positivo.

Como funciona em outros países

Em alguns países, o uso deste tipo de teste faz parte da política geral de controle da Covid-19.

Em Portugal, o uso dos autotestes está liberado desde março de 2021. Na portaria que permitiu o uso, o governo lusitano considera que a maior frequência de testagem promovida por este tipo de exame, combinado com a facilidade de uso, são mais relevantes do que a possibilidade de falsos positivos e contribuem para o controle da pandemia.

O paciente que tiver sintomas deve entrar em contato com um centro de saúde, independente do resultado do teste, para que o caso seja contabilizado. Caso a pessoa não tenha sintomas, mas esteja positiva, pode preencher um formulário online. O quadro também pode ser reportado a um profissional de saúde.

Os testes podem ser comercializados em farmácias — na última semana, o relato de uma brasileira que mora em Portugal conta que cada teste custa cerca de 2 euros (R$ 13 reais).

Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), equivalente ao Ministério da Saúde, considera que os autotestes são uma medida de redução de risco de contaminação, assim como a vacinação, máscaras e distanciamento social.

Se o resultado for positivo, o órgão pede que o paciente informe um médico, e se isole por 10 dias. Caso o teste seja negativo, mas o cidadão teve contato com uma pessoa doente, ou vá a algum local com muita gente, a indicação é repetir o exame 24h depois para confirmar o resultado. Há várias marcas disponíveis no mercado, e o teste custa cerca de US$15 (R$ 54).

No Reino Unido, a distribuição de testes é gratuita: cada pessoa pode coletar até 14 testes, sendo dois de cada vez, em farmácias, centros comunitários (como bibliotecas) ou em um local específico para testagem. Também é possível pedir os testes online. A recomendação é não se testar se tiver sintomas — nesse caso, a orientação é procurar um exame de PCR.

A ideia é que a população faça o exame se for estar em uma situação de risco, visitar uma pessoa vulnerável, ou se teve contato com alguém infectado. Na Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, a recomendação é fazer o teste duas vezes por semana.

Caso o exame dê positivo, é preciso notificar o NHS, o SUS do Reino Unido.

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