Vacinas pediátricas contra Covid não são experimentais, dizem médicos

Especialistas explicam sobre as fases de estudo obrigatórias pelas quais as vacinas foram submetidas antes de serem aprovadas

atualizado 21/01/2022 20:53

Vacinação infantilRafaela Felicciano/Metrópoles

A vacinação infantil contra a Covid-19 começou no Brasil na última semana. Em todo o país, crianças entre 5 e 11 anos de idade já podem receber as doses dos imunizantes aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Inicialmente, apenas o fármaco desenvolvido pela Pfizer era autorizado para a faixa etária, mas, nessa quinta-feira (20/1), foi também aprovado o uso emergencial da vacina Coronavac. 

Apesar de as vacinas já estarem disponíveis para a aplicação, muitas dúvidas sobre a segurança e eficácia dos imunizantes ainda rondam a cabeça de alguns pais, que temem vacinar seus filhos.

De acordo com a agência reguladora, todas as vacinas pediátricas no Brasil tiveram seus dados avaliados e aprovados por meio de estudos e, quando administradas no esquema de duas doses, são eficazes na prevenção da Covid-19 sintomática, doenças graves e outras condições que podem ser causadas pelo Sars-CoV-2. Portanto, não são consideradas experimentais.

Desenvolvimento rápido, mas vacina eficaz e segura

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, explica que apesar das vacinas contra a Covid-19 terem sido desenvolvidas de forma emergencial em um período recorde, todos os imunizantes licenciados para crianças no Brasil passaram obrigatoriamente por pesquisas laboratoriais, chamadas de pré-clínicas, e uma série de estudos fase 1, 2 e 3.

“Os testes de segurança acontecem nas duas primeiras fases da pesquisa, em que há a participação de um grande grupo de pessoas que representa toda a população. Os resultados de eficácia partem da comparação entre o grupo de indivíduos vacinados e não vacinados, e após análises das três fases, o produto deixa de ser experimental e passa a ser considerado seguro e aprovado”, afirma a especialista.

Segundo Mônica, os dados são analisados rigorosamente pelos órgãos regulatórios e especialistas independentes, e continuam sendo monitorados nos estudos de fase 4 conforme as vacinas são aplicadas na população, um procedimento padrão chamado farmacovigilância.

“A vacina foi licenciada com agilidade graças ao avanço tecnológico e ao cenário pandêmico que exigiu a fabricação e liberação emergencial”, enfatiza a diretora.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 300 crianças entre 5 e 11 anos morreram em decorrência da Covid-19 no Brasil. Pelo menos 1.400 crianças foram diagnosticadas com a Síndrome Inflamatória Multissistêmica associada ao Sars-CoV-2, e atualmente, são elas que correm mais risco diante de novas variantes altamente transmissíveis, como a Ômicron, por não estarem protegidas.

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Importância da vacina de uso infantil

Com o registro da Anvisa e a autorização para aplicar a vacina contra a Covid-19 em crianças a partir de 5 anos de idade, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio de nota técnica, diz considerar a imunização como de grande relevância para a redução de óbitos nessa faixa etária.

Além disso, o órgão também considera que a vacinação de crianças vai diminuir a transmissão do coronavírus, sendo uma estratégia fundamental para o retorno presencial das atividades escolares.

O médico Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), afirma existir uma disputa política em torno da imunização de crianças que deixa os pais ainda mais confusos.

“A Covid-19 é menos frequente e, na maior parte das vezes, menos grave nas crianças do que nos adultos. Porém, foi a doença que se pode prevenir por vacina que mais matou crianças no último ano. Então, o benefício certamente supera os riscos, que são baixos”, afirmou ele, em entrevista ao Metrópoles.

Ele completa afirmando que a vacinação da faixa etária deve acontecer assim que possível, e é importante não só para as crianças, mas para toda a sociedade. “Primeiro, pela importância de se proteger esse público. Segundo, porque quanto maior a porcentagem da população vacinada, melhor para todos”, ensina.

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