Vacina de Oxford passará por novos testes de eficácia, diz AstraZeneca

Grupo de voluntários receberá dose menor da imunização para confirmar resultado de eficácia divulgado na segunda (23/11)

atualizado 26/11/2020 15:32

Primeiro dia de testes da vacina covid-19 sendo aplicada na hubFrancisco Willian Saldanha/Ascom Hub

Após as críticas que seguiram a divulgação de que parte dos voluntários dos ensaios clínicos da vacina Oxford/AstraZeneca receberam uma dosagem errada do imunizante, a farmacêutica realizará novos testes que não estavam previstos no cronograma inicial.

A pesquisa testará a eficácia da aplicação de uma dosagem menor da vacina. “Agora que nós descobrimos o que é mais eficaz nós temos de validar, então precisaremos de um estudo adicional”, afirmou o CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, em entrevista a jornalistas, segundo o jornal britâncio The Telegraph.

O novo estudo será internacional e, segundo Soriot, pode ser concluído mais rápido que os anteriores pois envolverá um número menor de voluntários. De acordo com ele, o esperado é que os novos testes não atrasem a aprovação da vacina pelas agências reguladoras do Reino Unido e da União Europeia, mas podem retardar a liberação do imunizante nos Estados Unidos.

A vacina Oxford/AstraZeneca é a principal aposta do governo brasileiro. Por um acordo de transferência tecnológica com Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), o Brasil já garantiu cerca de 100 milhões de doses da candidata à imunizante. A farmacêutica AstraZeneca ainda não solicitou autorização para uso emergencial da fórmula no Brasil.

“Golpe de sorte”
Divulgado inicialmente como um “golpe de sorte”, que levaria o imunizante a render mais doses de vacina, o erro de dosagem levantou questionamentos sobre a segurança dos ensaios clínicos. Na segunda-feira (23/11), a farmacêutica divulgou que a fórmula havia atingido eficácia entre 62% e 90% e, justamente o grupo de voluntários que recebeu a dose menor apresentou a melhor resposta imunológica.

A falha foi identificada depois que um investigador do estudo percebeu que parte das pessoas imunizadas não estava apresentando resposta inflamatória à injeção, o que levou os pesquisadores a analisarem o suprimento de vacinas e a descobrirem que calcularam mal a dose.

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