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Saúde

Uso prolongado de antidepressivos gera maior abstinência, diz estudo

Estudo revela que usuários de antidepressivos por mais de dois anos enfrentam mais dificuldade e síndromes de retirada ao tentar parar

22/05/2025 14:35
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Imagem colorida: remédios antidepressivos sobre a mesa e mulher no fundo com a mão na cabeça - Metrópoles - antidepressivos

Pessoas que utilizam antidepressivos por mais de dois anos apresentam risco significativamente maior de sintomas de abstinência ao interromper o tratamento. A conclusão foi apresentada em pesquisa conduzida por especialistas da University College London (UCL).

Segundo o estudo, publicado na Psychiatry Research em abril, usuários de longo prazo também sofrem efeitos mais intensos e prolongados da chamada “síndrome de retirada”, além de terem menor probabilidade de conseguir interromper o uso da medicação com sucesso em comparação aos que utilizaram por menos tempo.

“Confirmamos o que muitos suspeitavam: a duração do uso determina amplamente o risco de abstinência”, afirmou o autor principal da pesquisa, o psiquiatra Mark Horowitz, da UCL, em comunicado à imprensa.

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Abstinência associada a antidepressivos

Há anos os psiquiatras já sabiam que interromper o uso de antidepressivos, especialmente se de forma súbita, pode gerar síndrome de retirada. Se há uma suspensão abrupta da dose, a condição pode aparecer com sintomas variados, indo desde os típicos da gripe, em um estágio leve, até um efeito rebote em casos graves, que pode intensificar a doença anteriormente tratada com a medicação.

A novidade da pesquisa da UCL é indicar que o uso prolongado, assim como a utilização de antidepressivos mais potentes, apresenta uma associação maior com a síndrome. Os dados servirão para pensar uma nova forma de diminuir esses efeitos com protocolos mais prolongados de retirada.

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“Os sintomas de abstinência são comumente sentidos por pessoas que estão parando de tomar antidepressivos, então aconselhamos que as pessoas que desejam abandonar o medicamento o façam em consulta com um profissional de saúde informado”, disse a psiquiatra Joanna Moncrieff, que chefiou o estudo.

Dados revelam impacto em usuários

O levantamento envolveu 310 pessoas na Inglaterra que tentaram interromper o uso de antidepressivos prescritos enquanto recebiam atendimento em serviços de terapia do NHS. Desse total, 62% relataram que os medicamentos foram úteis em algum momento do tratamento.

Entre os participantes, 79% relataram ao menos um sintoma de abstinência. Cerca de 45% indicaram efeitos classificados como moderados ou graves. Os sintomas mais comuns incluíram tontura, dor de cabeça, vertigem, náusea e fadiga.

Mais da metade dos usuários de antidepressivos por dois anos ou mais afirmou não conseguir interromper o uso quando tentou. Esse número cai para 21% entre os que usaram os medicamentos por menos tempo, evidenciando uma diferença marcante relacionada à duração do tratamento.

Como funcionam os antidepressivos? Manual do usuário

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Gravidade e duração da “síndrome da retirada”

Os pesquisadores analisaram o impacto do tempo de uso em três aspectos: incidência, intensidade e duração dos sintomas. Eles concluíram que o tempo prolongado foi o principal fator associado às dificuldades na descontinuação dos antidepressivos.

Entre os usuários que tomaram os remédios por mais de dois anos, 64% relataram sintomas moderados ou sérios de abstinência, sendo que 25% enfrentaram efeitos classificados como graves. Apenas 7% dos que usaram antidepressivos por até seis meses relataram sintomas graves.

Além disso, 30% dos usuários de longa duração disseram ter sofrido com efeitos por mais de três meses e 12% por mais de um ano.

Redução gradual ainda carece de mais estudos

A equipe responsável também avaliou se os entrevistados interromperam o uso de forma abrupta ou gradualmente. Embora muitos tenham tentado uma redução progressiva, poucos fizeram isso por mais de quatro semanas, dificultando conclusões firmes sobre a eficácia do método.

Diante dos dados, os autores destacaram a importância de pesquisas futuras sobre o melhor protocolo de redução. “Esta é uma das razões para não usar antidepressivos por mais tempo do que o necessário, porque isso pode tornar mais difícil parar de usá-los mais tarde. Os pacientes devem seguir estritamente a recomendação médica”, afirmou Horowitz.

A taxa de resposta da pesquisa foi de 18%, o que representa uma limitação. Os pesquisadores reconhecem que pessoas com experiências mais negativas podem ter sido mais propensas a responder, embora o questionário não tenha se restringido à temática de abstinência.

Recomendações e cuidados ao interromper o uso

Entre os sintomas relatados que não envolvem aspectos emocionais estavam tontura, náuseas e vertigens. Esses sinais foram fundamentais para distinguir efeitos de abstinência de possíveis recaídas nos quadros de depressão ou ansiedade.

Os pesquisadores alertam que a decisão de iniciar ou interromper antidepressivos deve considerar não apenas o impacto imediato, mas também os desafios potenciais de longo prazo. A orientação clínica individualizada é vista como essencial para mitigar riscos futuros.

“Assim como devemos ter cuidado antes de tomar uma medicação, é importante buscar a orientação médica antes de suspender seu uso para que se adote a melhor estratégia. Interromper uma medicação é algo que leva tempo e deve respeitar um protocolo para acostumar o corpo do paciente”, conclui o psiquiatra Alexandre Valverde, de São Paulo, que não participou da pesquisa.

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