Unilever denunciou contaminação em produtos Ypê antes de suspensão

Documentos mostram que concorrente enviou laudos para a Anvisa e Senacon sobre suposta contaminação em produtos Tixan Ypê

atualizado

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1 de 1 ype-13-1200×800 - Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

A Unilever denunciou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) suspeitas de contaminação microbiológica em produtos da marca Ypê meses antes da suspensão de fabricação, venda e distribuição determinada pela agência reguladora no início de maio.

Documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que a empresa, dona de marcas como Omo e Cif, apresentou ao governo laudos que apontavam a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes do Tixan Ypê Express, fabricados pela Química Amparo.

Em nota à imprensa, a Anvisa confirmou que recebeu denúncias da Unilever contra a Química Amparo em outubro de 2025 e março de 2026, por meio do sistema Fala.BR, canal de ouvidoria adotado pelo órgão. Segundo a agência, a Unilever não solicitou anonimato.

Nos documentos enviados à Senacon, a Unilever afirma ter identificado “contaminação microbiológica dos produtos lava-roupas Tixan Ypê Express e demais variantes do portfólio líquido” fabricados pela Química Amparo. A empresa também cita “risco à saúde do consumidor”.

De acordo com a denúncia, a Unilever diz ter tomado conhecimento, em procedimentos de pesquisa de mercado, de que estaria em curso um suposto “recolhimento silencioso dos produtos Tixan Ypê Express”. A suspeita teria levado a companhia a aprofundar os ensaios laboratoriais.

Laudos apontaram bactéria

Na primeira denúncia, a Unilever afirmou que quatro lotes do Tixan Ypê Express apresentaram desvio no padrão microbiológico. Os produtos citados eram das variantes “Cuida das roupas” e “Combate mau odor”, todos com validade para junho de 2027.

Ainda segundo a petição, amostras desses lotes foram submetidas a testes internos e depois encaminhadas ao laboratório externo Charles River. A análise constatou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa. Um dos laudos do laboratório, anexado ao processo, aponta a identificação da bactéria em amostra enviada pela Unilever Brasil Industrial Ltda.

Dois dias depois da primeira manifestação, a Unilever apresentou novos documentos à Senacon. Em petição de 9 de outubro de 2025, a empresa afirmou que novos laudos da Charles River teriam confirmado a presença de Pseudomonas aeruginosa em mais seis lotes de produtos Tixan Ypê Express, além dos quatro já informados anteriormente, totalizando 10 lotes “comprovadamente contaminados”, segundo a companhia.

Em nota ao Metrópoles, a Unilever afirmou que mantém “compromisso com uma atuação ética e transparente”. A empresa disse que realiza rotineiramente testes técnicos em seus produtos e, eventualmente, em outras marcas do mercado, prática que classifica como comum entre indústrias do setor.

“A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas. Quaisquer investigações são conduzidas exclusivamente pela autoridade, que avalia as diligências, as fiscalizações e os testes que entender necessários para a tomada de decisão”, diz a nota.

Ypê contestou denúncia

A Química Amparo, dona da Ypê, contestou as alegações. Em manifestação enviada à Senacon em 15 de outubro de 2025, a empresa afirmou ter recebido, “com surpresa” e “muita indignação”, a denúncia feita por sua concorrente, classificando as alegações como “infundadas” e com “distorção grosseira da legislação vigente”.

A empresa também argumentou que não há regulamentação da Anvisa estabelecendo limites para a presença do microrganismo em produtos saneantes. Segundo a Química Amparo, a RDC citada na denúncia trataria de cosméticos, não de saneantes.

A Química Amparo também negou a existência de recolhimento silencioso. No documento, a companhia afirma que “não promoveu qualquer movimento de retirada dos produtos do mercado” e que as marcas Tixan Ypê e Ypê Power Act ganharam mercado.

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