Tratamento de colesterol pode remover PFAS e microplásticos do sangue
Procedimento médico diminuiu níveis de PFAS em pacientes e mostrou sinais de retenção de microplásticos, mas dados ainda são iniciais

Um procedimento usado no tratamento de colesterol alto pode reduzir substâncias poluentes no sangue, segundo um estudo publicado na revista Brain Health em 4 de agosto. A técnica, chamada aférese terapêutica, é indicada para casos em que os remédios não conseguem controlar o colesterol.
No trabalho, pesquisadores observaram que o filtro utilizado no processo também reteve compostos químicos persistentes, conhecidos como PFAS, além de indícios de microplásticos.
Como funciona o procedimento
A aférese consiste em retirar o sangue do paciente, separar o plasma e filtrá-lo antes de devolvê-lo ao organismo. O objetivo é remover partículas ligadas ao colesterol que aumentam o risco cardiovascular.
Durante o processo, o plasma passa por filtros capazes de reter estruturas maiores, como lipoproteínas. A equipe suspeita que alguns poluentes acabam sendo removidos junto com essas partículas ou ao se ligarem a proteínas presentes no sangue.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência“O procedimento foi desenvolvido para tratar doenças cardiovasculares, mas também observamos redução de PFAS e sinais de retenção de microplásticos”, afirmou a pesquisadora Charlotte Steenblock, da Universidade Técnica de Dresden, ao ScienceAlert.
Queda nos níveis de PFAS
Os PFAS (substâncias per- e polifluoroalquiladas) — compostos químicos sintéticos chamados de “produtos químicos eternos” — são usados em produtos como panelas antiaderentes, tecidos impermeáveis e embalagens. Essas substâncias permanecem no ambiente e no corpo por longos períodos e já foram associadas a alterações hormonais, imunológicas e a alguns tipos de câncer.
No estudo, 14 pacientes passaram por sessões de plasmaférese com dupla filtração. Após o procedimento, quatro tipos comuns de PFAS apresentaram redução de até 25% no sangue.

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Ver todasEm uma análise separada com outro método, feita em quatro pacientes, a queda média variou entre 43,5% e 75,8% para cinco tipos desses compostos. Os autores destacam que os resultados não podem ser comparados diretamente por causa das diferenças entre os grupos e as técnicas utilizadas.
Resultados ainda incertos para microplásticos
Os dados sobre microplásticos foram menos consistentes. Em alguns casos, houve redução de certos tipos de plástico no sangue após o procedimento, mas outros aumentaram.
Uma das explicações levantadas é que parte dessas partículas pode ter vindo dos próprios materiais usados durante o tratamento, como tubos e bolsas plásticas. Além disso, os exames medem apenas o que está circulando naquele momento, sem indicar o total acumulado no corpo.
Os pesquisadores afirmam que encontraram microplásticos nos filtros após o uso, o que indica retenção dessas partículas. Ainda assim, isso não permite concluir que o procedimento reduza de forma estável a quantidade total no organismo.
Limitações e próximos passos
O estudo envolveu poucos participantes e utilizou métodos diferentes de análise, o que limita as conclusões. Também não foi avaliado por quanto tempo a redução dos poluentes se mantém nem se há benefícios diretos para a saúde.
Por isso, os autores defendem estudos maiores, com acompanhamento mais longo e técnicas padronizadas, antes de considerar o uso da aférese para lidar com esse tipo de exposição. Hoje, o procedimento segue indicado apenas para condições específicas, sob acompanhamento médico.



