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Saúde

Tratamento de colesterol pode remover PFAS e microplásticos do sangue

Procedimento médico diminuiu níveis de PFAS em pacientes e mostrou sinais de retenção de microplásticos, mas dados ainda são iniciais

11/08/2026 11:40, atualizado 11/08/2026 11:52
NEMES LASZLO/Getty Images
Colesterol

Um procedimento usado no tratamento de colesterol alto pode reduzir substâncias poluentes no sangue, segundo um estudo publicado na revista Brain Health em 4 de agosto. A técnica, chamada aférese terapêutica, é indicada para casos em que os remédios não conseguem controlar o colesterol.

No trabalho, pesquisadores observaram que o filtro utilizado no processo também reteve compostos químicos persistentes, conhecidos como PFAS, além de indícios de microplásticos.

Como funciona o procedimento

A aférese consiste em retirar o sangue do paciente, separar o plasma e filtrá-lo antes de devolvê-lo ao organismo. O objetivo é remover partículas ligadas ao colesterol que aumentam o risco cardiovascular.

Durante o processo, o plasma passa por filtros capazes de reter estruturas maiores, como lipoproteínas. A equipe suspeita que alguns poluentes acabam sendo removidos junto com essas partículas ou ao se ligarem a proteínas presentes no sangue.

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“O procedimento foi desenvolvido para tratar doenças cardiovasculares, mas também observamos redução de PFAS e sinais de retenção de microplásticos”, afirmou a pesquisadora Charlotte Steenblock, da Universidade Técnica de Dresden, ao ScienceAlert.

Queda nos níveis de PFAS

Os PFAS (substâncias per- e polifluoroalquiladas) — compostos químicos sintéticos chamados de “produtos químicos eternos” — são usados em produtos como panelas antiaderentes, tecidos impermeáveis e embalagens. Essas substâncias permanecem no ambiente e no corpo por longos períodos e já foram associadas a alterações hormonais, imunológicas e a alguns tipos de câncer.

No estudo, 14 pacientes passaram por sessões de plasmaférese com dupla filtração. Após o procedimento, quatro tipos comuns de PFAS apresentaram redução de até 25% no sangue.

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Em uma análise separada com outro método, feita em quatro pacientes, a queda média variou entre 43,5% e 75,8% para cinco tipos desses compostos. Os autores destacam que os resultados não podem ser comparados diretamente por causa das diferenças entre os grupos e as técnicas utilizadas.

Resultados ainda incertos para microplásticos

Os dados sobre microplásticos foram menos consistentes. Em alguns casos, houve redução de certos tipos de plástico no sangue após o procedimento, mas outros aumentaram.

Uma das explicações levantadas é que parte dessas partículas pode ter vindo dos próprios materiais usados durante o tratamento, como tubos e bolsas plásticas. Além disso, os exames medem apenas o que está circulando naquele momento, sem indicar o total acumulado no corpo.

Os pesquisadores afirmam que encontraram microplásticos nos filtros após o uso, o que indica retenção dessas partículas. Ainda assim, isso não permite concluir que o procedimento reduza de forma estável a quantidade total no organismo.

Limitações e próximos passos

O estudo envolveu poucos participantes e utilizou métodos diferentes de análise, o que limita as conclusões. Também não foi avaliado por quanto tempo a redução dos poluentes se mantém nem se há benefícios diretos para a saúde.

Por isso, os autores defendem estudos maiores, com acompanhamento mais longo e técnicas padronizadas, antes de considerar o uso da aférese para lidar com esse tipo de exposição. Hoje, o procedimento segue indicado apenas para condições específicas, sob acompanhamento médico.