Primeiro transplante de pulmão de porco em humano funciona por 9 dias

Experimento na China mostra avanço do xenotransplante, mas especialistas alertam que ainda há obstáculos até a prática em pacientes vivos

atualizado

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Nature Medicine/ Divulgação
Médicos do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Médica de Guangzhou concluíram recentemente o primeiro transplante de pulmão de porco para humano.
1 de 1 Médicos do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Médica de Guangzhou concluíram recentemente o primeiro transplante de pulmão de porco para humano. - Foto: Nature Medicine/ Divulgação

Uma equipe médica da China realizou um experimento inédito ao transplantar um pulmão de porco geneticamente modificado para um paciente humano. O procedimento, feito em Guangzhou e descrito na revista Nature Medicine nessa segunda-feira (25/8), marca a primeira tentativa de xenotransplante de pulmão já registrada.

O receptor foi um homem de 39 anos que havia sofrido morte cerebral. Com o consentimento da família, os médicos substituíram o pulmão esquerdo pelo de um porco, mantendo o pulmão direito original.

No campo dos transplantes, o pulmão é considerado um dos órgãos mais difíceis de substituir. Ele concentra a maior rede de vasos sanguíneos do corpo, o que aumenta o risco de rejeição, coagulação e lesões.

Além disso, por estar em contato direto com o ar e carregar proteínas ligadas à defesa imunológica, o órgão ainda apresenta desafios extras em comparação com outros.

Preparação do pulmão para o transplante

O órgão usado passou por edição genética com a técnica CRISPR. Três genes do porco foram desativados para reduzir a rejeição e outros três genes humanos foram inseridos, tornando o pulmão mais compatível. Além disso, o paciente recebeu medicamentos imunossupressores para tentar conter a resposta do sistema imunológico.

Nos primeiros momentos não houve a chamada “rejeição hiperaguda”, que costuma ocorrer logo após o transplante, mas sinais de inflamação surgiram já nas primeiras 24 horas. No terceiro dia o corpo passou a produzir anticorpos contra o pulmão.

Apesar das dificuldades, o órgão se manteve funcional por nove dias, até que a família autorizou o encerramento do experimento. Nesse período, foram observados danos crescentes ao tecido pulmonar, o que indica que ainda há muitos obstáculos para tornar a técnica segura em humanos vivos.

Os pesquisadores acreditam que, em futuros experimentos, pode ser importante bloquear a ação de certas células do sistema imunológico e também reduzir moléculas que estimulam a inflamação.

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