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Saúde

Transplante de fezes consegue melhorar alergia a amendoim em 6 pessoas

Pesquisa com 15 pessoas sugere que bactérias intestinais de doadores saudáveis podem ajudar a reduzir reações à alergia ao amendoim

06/08/2026 14:55
Abril Chavira/Unsplash
Close-up de amendoim. Metrópoles

Um transplante de bactérias intestinais obtidas de doadores saudáveis aumentou a tolerância ao amendoim em parte dos participantes de um pequeno estudo com pessoas que tinham alergia grave ao alimento. A pesquisa, publicada nessa quarta-feira (5/8) na revista Science Translational Medicine, é a primeira a mostrar que uma terapia baseada no microbioma pode reduzir alergias alimentares em humanos.

Ao todo, 15 jovens adultos participaram do estudo. Antes do tratamento, todos apresentavam reação a quantidades muito pequenas de amendoim.

Os pesquisadores utilizaram cápsulas congeladas contendo bactérias retiradas das fezes de pessoas sem alergias alimentares. A ideia era modificar a microbiota intestinal dos participantes para restaurar a capacidade do organismo de tolerar o alimento.

Na primeira etapa, 10 participantes receberam uma dose única de 36 cápsulas ao longo de algumas horas. Quatro meses depois, três deles conseguiram consumir quantidades maiores de amendoim antes de apresentar reação alérgica.

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Na fase seguinte, outros cinco participantes receberam antibióticos antes do transplante para reduzir as bactérias já presentes no intestino e facilitar a instalação dos microrganismos do doador. Desses, três também apresentaram aumento da tolerância ao amendoim e conseguiram ingerir mais de quatro amendoins antes de desenvolver reação.

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Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que o uso prévio de antibióticos pode favorecer a transferência da microbiota, embora estudos maiores sejam necessários para confirmar essa hipótese.

Como as bactérias podem reduzir a alergia

A equipe também investigou por que o tratamento funcionou apenas em parte dos participantes. As análises mostraram que quem respondeu ao transplante apresentava níveis mais elevados de sais biliares no sangue.

Os autores observaram que as bactérias transferidas dos doadores eram mais eficientes em modificar as substâncias produzidas pelo organismo para ajudar na digestão das gorduras.

O processo favoreceu o aumento de células do sistema imunológico responsáveis por estimular a tolerância aos alimentos, reduzindo a chance de uma reação alérgica.

“A alergia alimentar reflete uma falha na tolerância oral, processo pelo qual o sistema imunológico aprende a aceitar os alimentos. O estudo mostra que as bactérias certas podem ajudar a restaurar esse processo”, afirmou Talal Chatila, diretor de imunologia translacional do Boston Children’s Hospital e um dos autores do trabalho, em comunicado.

O que vem pela frente

Os cientistas destacam que o estudo foi pequeno e que os resultados precisam ser confirmados em pesquisas com mais participantes.

Um novo ensaio clínico já está em andamento para testar uma versão mais prática da terapia, que utiliza uma formulação purificada e concentrada de bactérias intestinais em vez de cápsulas produzidas a partir de fezes. A equipe também pretende avaliar a combinação desse tratamento com a imunoterapia oral para alergia ao amendoim.

“Este foi o primeiro estudo a demonstrar que uma terapia baseada no microbioma pode melhorar a alergia alimentar em pessoas. Agora, precisamos de estudos maiores para confirmar esses resultados e identificar quais bactérias podem ser usadas no desenvolvimento de terapias específicas para alergias alimentares”, afirmou a pesquisadora Rima Rachid, diretora do Programa de Alergia Alimentar do Boston Children’s Hospital.