Transmissão de anticorpos da Covid-19 durante gestação é falha, diz estudo

Pesquisa aponta que mulheres infectadas no 3º trimestre da gravidez não conseguem transferir anticorpos suficientes para proteger bebês

atualizado 29/12/2020 17:18

gestanteReprodução / Pixabay

Publicada na revista especializada Cell, uma pesquisa recente promovida pelo Massachusetts General Hospital (MGH), nos Estados Unidos, aponta que os recém-nascidos são ainda mais vulneráveis à infecção provocada pelo Sars-CoV-2 do que se supunha. O estudo descobriu que, quando infectadas no terceiro trimestre, as gestantes transmitem pouca quantidade de anticorpos contra o coronavírus ao feto através da placenta.

Os cientistas compararam a forma como os anticorpos maternos contra gripe (influenza), coqueluche e Sars-CoV-2 são transferidos ao feto pela placenta. Enquanto os anticorpos específicos para as duas primeiras doenças foram transmitidos ativamente e “de uma forma relativamente normal”, segundo o trabalho, a transferência de anticorpos específicos do coronavírus para o bebê foi significativamente reduzida.

Os poucos anticorpos contra o Sars-CoV-2 transferidos também foram menos funcionais do que os anticorpos contra a gripe. A transmissão reduzida foi observada apenas em grávidas infectadas no terceiro trimestre.

Os cientistas descobriram que ligações alteradas de carboidratos aos anticorpos específicos do Sars-CoV-2 (um processo chamado glicosilação) podem ser os responsáveis ​​por essa transferência reduzida da mãe para o feto no terceiro trimestre.

As ligações de carboidratos em anticorpos específicos para Covid-19 no sangue materno foram diferentes daquelas observadas em anticorpos para influenza e coqueluche. Esse padrão de carboidratos pode fazer com que os anticorpos específicos do coronavírus fiquem “presos” na circulação materna, em vez de serem transferidos pela placenta por meio de receptores de anticorpos placentários.

Para tentar resolver parcialmente o problema e facilitar a transferência de alguns anticorpos funcionais da mãe para feto, os cientistas induziram o aumento nos anticorpos maternos totais, bem como a expressão placentária de um receptor de anticorpos que atrai o padrão de carboidratos verificados nos anticorpos para o Sars-CoV-2.

Após o procedimento, alguns dos anticorpos transferidos com maior sucesso foram, também, os mais funcionais, ativando células específicas que ajudariam o recém-nascido a lutar contra o vírus em caso de exposição.

Os resultados expandem as descobertas recentes da equipe, publicadas no JAMA Network Open, de que grávidas com Covid-19 não transmitem o vírus Sars-CoV-2 – apenas transferem níveis relativamente baixos de anticorpos contra a doença para os recém-nascidos. De acordo com os pesquisadores, compreender como a transmissão de anticorpos varia por trimestre pode, também, apontar as janelas na gravidez mais desejáveis para a vacinação.

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