Uma combinação de três terapias aplicada logo após o nascimento conseguiu eliminar o HIV em testes com primatas. O estudo, publicado nesta segunda-feira (10/8) na revista Nature Microbiology, indica que o tratamento precoce pode impedir que o vírus se estabeleça no organismo, aponta uma nova possibilidade de abordagem contra a infecção.
A proposta é agir nas primeiras 72 horas de vida, período em que o vírus ainda está se espalhando. Hoje, mais de 120 mil bebês contraem HIV por ano no mundo e, na maioria dos casos, precisam de tratamento por toda a vida.
Combinação de três abordagens
Os pesquisadores testaram uma combinação de antirretrovirais, anticorpos neutralizantes e um medicamento experimental chamado leronlimab. Cada uma dessas estratégias já havia sido estudada separadamente, sem eliminar o vírus de forma definitiva.
Quando usadas em conjunto por algumas semanas, porém, o resultado foi diferente. Os animais tratados não apresentaram sinais persistentes da infecção, o que surpreendeu a equipe. O leronlimab atua bloqueando a entrada do HIV nas células de defesa por meio de uma proteína chamada CCR5. Já os antirretrovirais reduzem a multiplicação do vírus, enquanto os anticorpos ajudam a controlar a quantidade circulante no organismo.
Os dados sugerem que o momento do tratamento faz diferença. Nos primeiros dias após a infecção, o vírus ainda não formou reservatórios estáveis no corpo, o que pode facilitar sua eliminação.
Os cientistas agora querem entender até quando essa estratégia pode funcionar. A dúvida é se o mesmo efeito seria observado quando o tratamento começa mais tarde, como uma ou duas semanas após o contato com o vírus.
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HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. O causador da aids ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebida
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A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas, que recebem esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. Com isso, atinge-se o estágio mais avançado da doença, a aids
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Os medicamentos antirretrovirais (ARV) surgiram na década de 1980 para impedir a multiplicação do HIV no organismo. Esses medicamentos ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico
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O uso regular dos ARV é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o número de internações e infecções por doenças oportunistas
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O tratamento é uma combinação de medicamentos que podem variar de acordo com a carga viral, estado geral de saúde da pessoa e atividade profissional, devido aos efeitos colaterais
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Em 2021, um novo medicamento para o tratamento de HIV, que combina duas diferentes substâncias em um único comprimido, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
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A empresa de biotecnologia Moderna, junto com a organização de investigação científica Iavi, anunciou no início de 2022 a aplicação das primeiras doses de uma vacina experimental contra o HIV em humanos
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O ensaio de fase 1 busca analisar se as doses do imunizante, que utilizam RNA mensageiro, podem induzir resposta imunológica das células e orientar o desenvolvimento rápido de anticorpos amplamente neutralizantes (bnAb) contra o vírus
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Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças aprovou o primeiro medicamento injetável para prevenir o HIV em grupos de risco, inclusive para pessoas que mantém relações sexuais com indivíduos com o vírus
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O Apretude funciona com duas injeções iniciais, administradas com um mês de intervalo. Depois, o tratamento continua com aplicações a cada dois meses
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O PrEP HIV é um tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) feito especificamente para prevenir a infecção pelo vírus da Aids com o uso de medicamentos antirretrovirais
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Esses medicamentos atuam diretamente no vírus, impedindo a sua replicação e entrada nas células, por isso é um método eficaz para a prevenção da infecção pelo HIV
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É importante que, mesmo com a PrEP, a camisinha continue a ser usada nas relações sexuais: o medicamento não previne a gravidez e nem a transmissão de outras doenças sexualmente transmissíveis, como clamídia, gonorreia e sífilis, por exemplo
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Próximos passos
Apesar dos resultados, a abordagem ainda precisa ser testada em humanos. Parte das terapias já é usada na prática clínica, enquanto outras seguem em avaliação.
A expectativa dos pesquisadores é iniciar estudos em pessoas recém-expostas ao HIV antes de avançar para o uso em recém-nascidos. A proximidade biológica entre primatas e humanos exige cautela na análise, mas também incentiva a avaliação do método em testes clínicos.
Se os resultados se confirmarem, o tratamento precoce pode mudar a forma de lidar com a infecção, principalmente em casos de transmissão no nascimento.