Sociedade de Cardiologia do DF: hipertensos devem manter remédios

Posição da entidade que congrega cardiologistas é a de que trocas de medicamento podem agravar quadros de saúde que estão controlados

atualizado

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Marcelo Leal/Unsplash
aparelho para aferir pressão alta
1 de 1 aparelho para aferir pressão alta - Foto: Marcelo Leal/Unsplash

Depois da divulgação de que alguns medicamentos para controle de pressão alta podem agravar quadros de Covid-19 – a infecção provocada pelo novo coronavírus, a representação local da Sociedade Brasileira de Cardiologia emitiu nota explicando que pessoas com o quadro de hipertensão controlado não devem substituir a medicação.

A polêmica surgiu ainda em março porque duas classes de remédios anti-hipertensão – os inibidores de enzima conversora de angiotensina (IECA) e os bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA), foram relacionadas com risco maior de contágio e de desenvolvimento de quadros graves da Covid-19.

Os medicamentos aumentam a produção da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA-2) na membrana dos pulmões, o que facilitaria a entrada do novo coronavírus no órgão. Em artigo científico, o endocrinologista Flávio Cadegiani sugeriu uma alternativa para os que quisessem deixar os remédios.

A presidente da Sociedade de Cardiologia do DF, Alexandra Mesquita, explica que a troca pode, na verdade, prejudicar os pacientes que estejam com quadros controlados. “Há risco de descompensar ou agravar o estado do paciente: experimentações não devem ser feitas neste momento”, afirma.

De acordo com o cardiologista, as sociedades de Cardiologia Europeia, Americana e Brasileira, além da Sociedade Brasileira de Diabetes, estão alinhadas em recomendar a não suspensão ou troca desses medicamentos frente aos benefícios comprovados para pacientes hipertensos, cardíacos e diabéticos.

Em 13 de março, a Sociedade Brasileira de Cardiologia emitiu uma primeira nota afirmando que não havia evidências definitivas a respeito da associação entre o uso dos fármacos e o maior risco da doença e recomendou a avaliação individualizada de pacientes.

Em revisão da bibliografia disponível, o Instituto Nacional de Cardiologia também recomendou que não se modifique o tratamento dos pacientes que usam IECA e BRA.

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