Existem sintomas de colesterol alto? Endocrinologista explica sinais
Sintomas de colesterol alto são raros, mas sinais no corpo e fatores metabólicos podem indicar risco cardiovascular
atualizado
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O colesterol alto é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares no mundo e, ao mesmo tempo, um dos mais silenciosos. Na maioria dos casos, os sintomas não aparecem até que o problema já tenha causado danos nas artérias.
O excesso de gordura no sangue pode se acumular lentamente nas paredes dos vasos sanguíneos, formando placas que dificultam a circulação e aumentam o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
“O principal risco do colesterol alto é o desenvolvimento da aterosclerose, que é o acúmulo progressivo de gordura nas artérias ao longo da vida”, explica o cardiologista Breno Giestal, do Alta Diagnósticos.
Segundo o especialista, esse processo pode evoluir por anos sem causar sintomas evidentes. “Muitas vezes a pessoa só descobre quando ocorre um evento cardiovascular, como um infarto”, afirma.
Quando o corpo dá sinais
Embora sejam incomuns, alguns sintomas de colesterol alto podem aparecer no corpo e servir como alerta para alterações no metabolismo das gorduras.
Entre os sinais mais conhecidos estão pequenas placas amareladas na pele, especialmente nas pálpebras, chamadas de xantelasmas. Elas são formadas por depósitos de gordura e podem indicar níveis elevados de colesterol no sangue.
Outro fator que pode indicar maior risco cardiovascular é a presença de lipoproteína(a), ou Lp(a), uma partícula de origem genética associada ao aumento da formação de placas nas artérias. Especialistas recomendam que o marcador seja dosado pelo menos uma vez na vida adulta, já que níveis elevados indicam maior predisposição a doenças cardiovasculares.
Além disso, a avaliação do colesterol não depende apenas de um número isolado no exame de sangue. O LDL, conhecido como colesterol “ruim”, é considerado o principal responsável pela formação de placas nas artérias.
Estudos recentes apresentados no congresso do American College of Cardiology indicam que estratégias mais intensivas de redução do LDL podem diminuir significativamente a ocorrência de eventos cardiovasculares, reforçando a importância do diagnóstico precoce.
Metabolismo e genética influenciam o colesterol
De acordo com a endocrinologista Giovanna Carpentieri, que atende em São Paulo, os sintomas de colesterol alto costumam demorar a aparecer porque o problema geralmente está ligado a alterações metabólicas que se desenvolvem ao longo do tempo.
Entre os fatores mais comuns estão alimentação rica em gorduras saturadas, consumo frequente de alimentos ultraprocessados, sedentarismo e excesso de peso.
“A genética também pode ter um papel importante. Algumas pessoas apresentam hipercolesterolemia familiar, uma condição hereditária em que o LDL já é elevado desde cedo”, explica.
Esse tipo de predisposição pode fazer com que o risco cardiovascular aumente mesmo em pessoas jovens e aparentemente saudáveis.
Doenças metabólicas aumentam o risco
Problemas metabólicos também têm impacto direto no perfil de colesterol. Condições como obesidade e diabetes alteram o funcionamento do metabolismo das gorduras e podem favorecer a formação de placas nas artérias.
Segundo a endocrinologista Laryssa Pontes, do Hospital e Maternidade Madre Theodora, essas doenças costumam provocar alterações importantes no perfil lipídico.
“É comum observar aumento dos triglicerídeos, redução do HDL, que é o colesterol ‘bom’, e presença de partículas de LDL mais agressivas”, afirma.
Esse conjunto de alterações aumenta significativamente o risco cardiovascular mesmo quando o colesterol total não parece tão elevado.
Por isso, especialistas reforçam que, mesmo na ausência de sintomas de colesterol alto, exames periódicos são essenciais. Mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso e abandono do tabagismo, continuam sendo a base da prevenção e do tratamento.
