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Saúde

Sífilis causou morte de 42 bebês indígenas na Austrália em 10 anos

Doença transmitida durante a gestação pode ser evitada e tratada, mas continua avançando em regiões do país

17/06/2026 10:38, atualizado 17/06/2026 10:49
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Kateryna Kon/Science Photo Library/Getty Images
Ilustração computadorizada da Treponema pallidum, a bactéria causadora da sífilis. Metrópoles

A Austrália enfrenta um aumento dos casos de sífilis, doença sexualmente transmissível que já causou a morte de 42 bebês entre 2015 e 2025. O cenário tem levado especialistas a reforçar a importância do diagnóstico precoce e do tratamento durante a gravidez para evitar novos casos.

Em entrevista à ABC News Australia, o professor emérito da Universidade de Adelaide Maciej Henneberg afirmou que a situação é motivo de preocupação. “É absolutamente essencial impedir que a doença se espalhe e se torne endêmica”, afirmou.

Diante do crescimento das infecções, a sífilis foi classificada em 2025 pelo diretor médico da Austrália, Michael Kidd, como um “incidente de doença transmissível de significado nacional”.

Dados divulgados pela ABC News Australia mostram que povos aborígenes e habitantes das ilhas do Estreito de Torres são os mais afetados, com uma taxa de infecção cerca de sete vezes maior do que a observada entre australianos não indígenas. Entre os bebês que morreram após contrair a doença, cerca de 60% pertenciam a esses grupos.

Doença pode ser transmitida para o bebê

A sífilis é uma infecção bacteriana geralmente transmitida por contato sexual. Em muitos casos, os primeiros sinais passam despercebidos, porque costumam surgir como feridas indolores.

Quando não é diagnosticada e tratada, a doença pode provocar complicações graves e atingir órgãos como coração e cérebro.

A situação se torna ainda mais preocupante durante a gravidez. Nesses casos, a infecção pode ser transmitida da mãe para o bebê, condição conhecida como sífilis congênita, que aumenta o risco de aborto espontâneo, natimorto e morte nos primeiros dias de vida.

Especialistas afirmam que uma das dificuldades no controle da doença é o fato de muitas pessoas não apresentarem sintomas evidentes por longos períodos.

Pesquisas indicam que ampliar a testagem pode ajudar a controlar o surto. A estimativa é que taxas de rastreamento entre 70% e 80% sejam suficientes para reduzir a circulação da doença.

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