Saúde decide não incluir vacina contra meningite B no SUS para bebês

Decisão considera alto custo e dúvidas sobre custo-efetividade. Imunizante segue disponível apenas na rede privada

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Uma mão com luvas de látex segura um frasco com líquido transparente e uma seringa. O profissional de saúde usa a seringa para extrair o medicamento do frasco de vidro. Metrópoles
1 de 1 Uma mão com luvas de látex segura um frasco com líquido transparente e uma seringa. O profissional de saúde usa a seringa para extrair o medicamento do frasco de vidro. Metrópoles - Foto: Catherine Falls Commercial/Getty Images

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra meningite do tipo B ao Sistema Único de Saúde (SUS) para bebês menores de um ano. A medida foi oficializada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (17/4).

Atualmente, o SUS já oferece proteção contra outros tipos de meningite bacteriana, com as vacinas meningocócica C (para bebês), ACWY (para adolescentes e reforço infantil) e BCG, aplicada ao nascer. Ainda assim, o sorogrupo B é hoje o mais frequente no país.

Por que a vacina não foi incorporada?

Segundo o documento, a vacina adsorvida meningocócica B recombinante (4CMenB) não será incluída no calendário público infantil para prevenção da doença meningocócica do sorogrupo B. Apesar da negativa, a pasta informou que a decisão não é definitiva e pode ser revista futuramente pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), caso surjam novas evidências científicas.

A decisão da Conitec levou em consideração fatores econômicos e técnicos. Entre eles estão o alto custo da vacina e o impacto no orçamento público, além de análises que apontaram uma relação custo-efetividade desfavorável para inclusão ampla no sistema.

Também pesaram incertezas sobre a duração da proteção oferecida pelo imunizante e seu impacto na redução da circulação da bactéria, fator importante para a chamada imunidade de rebanho.

Os pais que quiserem imunizar os filhos contra a meningite do tipo B precisarão recorrer a clínicas particulares. O valor por dose varia, em média, de R$ 600 a R$ 750. Considerando que o esquema inclui de duas a três doses no primeiro ano de vida, além de um reforço, o gasto total pode passar de R$ 2 mil.

Meningite B: por que a doença preocupa?

A meningite causada pelo meningococo B é considerada uma das infecções bacterianas mais graves na pediatria. Especialistas apontam que a doença meningocócica invasiva tem evolução rápida e pode levar à morte em poucas horas.

“O meningococo B se tornou o sorogrupo predominante após a vacinação em massa contra outros tipos, como o C e o ACWY. Isso criou um ‘vácuo epidemiológico’, permitindo que ele passasse a se destacar”, explica Fernanda America Pedreira Soubak, pediatra da INK.

A letalidade no Brasil chega a 17,7%. Entre os sobreviventes, até um terço pode desenvolver sequelas permanentes, como amputações, perda auditiva, convulsões e comprometimento cognitivo.

Quais são os sinais de alerta?

O diagnóstico precoce é essencial, mas pode ser difícil, já que os sintomas iniciais se parecem com os de uma gripe comum.

Em bebês menores de 2 anos, os sinais incluem febre (ou temperatura baixa), irritabilidade intensa, choro inconsolável e alteração na fontanela (“moleira”). Já em crianças maiores, é comum a presença de febre alta súbita, dor de cabeça, vômitos e sensibilidade à luz.

Um dos principais sinais de gravidade é o surgimento de manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele, conhecidas como petéquias. “Se a mancha não desaparecer ao pressionar um copo de vidro sobre a pele, é um indicativo de que a bactéria pode já estar na corrente sanguínea. Nesse caso, a procura por atendimento de emergência deve ser imediata”, alerta a pediatra.

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