Saúde mental: irritação e esquecimento podem indicar sofrimento emocional
Especialistas explicam quando emoções deixam de ser pontuais e passam a afetar sono, relações e capacidade de manter a rotina

Setembro é o mês que costuma concentrar campanhas de conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Nesse contexto, reconhecer sinais de sofrimento emocional passa a ser um passo importante para buscar ajuda e evitar a piora do quadro.
Tristeza, ansiedade, medo e estresse fazem parte da vida e, isoladamente, não indicam um transtorno. O que diferencia uma reação comum de um sofrimento que merece atenção está na forma como essas emoções se apresentam ao longo do tempo.
“Mais do que perguntar há quanto tempo a pessoa está triste ou ansiosa, é preciso observar intensidade, persistência e impacto no funcionamento”, explica a psicóloga Marcelle Passarinho Maia, coordenadora de psicologia do Hospital Santa Lúcia.
Segundo ela, o alerta aparece quando há uma mudança no padrão habitual. Emoções que se tornam muito intensas, se repetem ou passam a interferir no sono, no apetite, na concentração e nas relações do dia a dia devem ser observadas com mais cuidado.

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Nem sempre o sofrimento emocional é evidente. Em muitos casos, ele aparece em mudanças pequenas no comportamento. Irritabilidade maior que o habitual, impaciência, isolamento, dificuldade de concentração, esquecimentos e queda de produtividade estão entre os sinais mais comuns. Alterações no sono e no apetite, cansaço frequente e perda de interesse por atividades também podem indicar que algo não vai bem.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência“A mudança de comportamento é um ponto importante. Uma pessoa comunicativa que passa a se isolar ou alguém organizado que deixa de dar conta de tarefas simples merece atenção”, afirma Marcelle.
Ela ressalta que manter a rotina não significa estar bem. “Algumas pessoas continuam funcionando, mas com um esforço emocional muito grande”, diz.
Por que é difícil reconhecer o problema
Mesmo diante desses sinais, muitas pessoas demoram a perceber que estão em sofrimento. Em parte, isso está ligado a mecanismos de defesa.
“Alguns tendem a minimizar o que sentem ou pensar que é apenas uma fase. A negação e a racionalização podem surgir, especialmente quando reconhecer o sofrimento é visto como fraqueza”, destaca o psiquiatra Matheus Cheibub, do Hospital Sírio-Libanês. O estigma em torno dos transtornos mentais também contribui para o atraso na busca por ajuda.
Quando procurar avaliação
Não existe um único critério baseado apenas no tempo. A avaliação envolve a intensidade dos sintomas, a frequência e o impacto na vida da pessoa. “Quando há sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou familiar, é importante considerar uma avaliação”, explica Cheibub.
A orientação é não esperar o quadro se agravar. A identificação precoce permite intervir antes que o sofrimento aumente.
“Procurar ajuda não deve ser uma medida apenas para situações graves. O cuidado em saúde mental também pode ser preventivo”, alerta Marcelle.
Entre os sinais que indicam a necessidade de buscar apoio estão sintomas persistentes, aumento da intensidade, impacto na qualidade de vida, dificuldade nas relações, queda no autocuidado e uso de álcool ou outras substâncias como forma de lidar com emoções.



















