Psiquiatra analisa hábitos de Luísa Sonza no controle da saúde mental
Relato de Luísa Sonza sobre exercícios, sono, terapia e limites no celular reforça a importância de hábitos na saúde mental

Luísa Sonza voltou a falar abertamente sobre saúde mental. Aos 28 anos, a cantora compartilhou nas redes sociais alguns dos cuidados que considera indispensáveis para lidar com a depressão e o transtorno de ansiedade generalizada, condições sobre as quais já havia falado publicamente. O relato ganhou repercussão durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. Para falar do assunto, a coluna Fábia Oliveira ouviu o psiquiatra especialista em psiquiatria infantil Tales Vilela.
Entre os hábitos citados pela artista estão manter uma rotina, evitar passar a madrugada acordada, praticar atividade física, fazer terapia, controlar o tempo diante das telas e preservar o contato com amigos e pessoas próximas. Luísa também contou que passou a evitar notificações e vibrações no celular por associá-las a experiências negativas vividas anteriormente.

Receba no seu email as notícias da coluna Fábia Oliveira
Frequência de envio: Diário
Ver todas“A atividade física pode contribuir para a regulação do humor, do sono e da ansiedade, além de proporcionar uma quebra no ciclo de pensamentos repetitivos que muitas vezes acompanha o sofrimento emocional. Mas é importante deixar claro que exercício não substitui psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico ou medicação quando ela é indicada. Cada paciente precisa ser avaliado individualmente”, explicou Dr. Tales Vilela.
A necessidade de ter horários minimamente organizados é outro ponto. Segundo o especialista, para quem convive com depressão, tarefas aparentemente simples, como levantar da cama, tomar banho, alimentar-se ou sair de casa, podem se tornar difíceis durante períodos de agravamento dos sintomas.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“A rotina funciona como uma espécie de estrutura para o dia. Ter horários relativamente consistentes para dormir, acordar, estudar ou trabalhar, alimentar-se e realizar atividades prazerosas ajuda o cérebro a estabelecer previsibilidade. Quando falamos de saúde mental, não estamos defendendo uma vida rígida ou perfeitamente organizada, mas uma estrutura que reduza o caos e favoreça hábitos protetores”, afirmou o psiquiatra.
O relato da cantora sobre o celular também chama atenção para uma questão cada vez mais presente nos consultórios. Luísa Zonza contou que evita notificações, vibrações e excesso de tempo diante das telas. Embora o uso de dispositivos não seja, isoladamente, causa de um transtorno mental, a hiperconectividade pode interferir no sono, aumentar a exposição a estímulos constantes e dificultar períodos de descanso, disse o médico.
“Na infância e principalmente na adolescência, o cérebro ainda está em desenvolvimento e existe uma sensibilidade importante à recompensa, à comparação e à aprovação social. Quando o jovem passa horas conectado, dorme menos, abandona atividades presenciais e começa a organizar sua autoestima em torno da resposta que recebe nas redes, temos um cenário que merece atenção da família”, explicou.
Depressão e ansiedade também podem se manifestar de formas diferentes entre adultos, crianças e adolescentes. Segundo Tales, nem sempre um jovem deprimido, por exemplo, demonstra tristeza de maneira evidente. Irritabilidade persistente, isolamento, queda no rendimento escolar, alterações importantes no sono e no apetite, perda de interesse por atividades antes prazerosas e afastamento dos amigos podem indicar que algo não vai bem.
“Um dos erros é esperar que a criança ou o adolescente diga claramente ‘estou deprimido’ ou ‘estou ansioso’. Muitas vezes, o sofrimento aparece no comportamento. Pode ser uma irritabilidade que não existia, uma recusa em ir à escola, dores recorrentes sem uma causa clínica evidente, isolamento ou uma mudança brusca na forma de se relacionar. O adulto precisa observar mudanças de padrão, principalmente quando persistem e começam a prejudicar a vida daquele jovem”, alertou Tales Vilela.
Ao compartilhar publicamente estratégias que adotou para cuidar da própria saúde mental, Luísa Sonza também ajuda a colocar em evidência uma discussão importante: reconhecer os próprios limites não significa abandonar responsabilidades, mas perceber quais situações favorecem ou prejudicam o equilíbrio emocional.
“Autoconhecimento é importante, mas não devemos transformar a experiência de uma pessoa em uma receita universal. O que funciona para um paciente pode não ser suficiente para outro. Se existe sofrimento persistente, prejuízo nas relações, nos estudos, no trabalho ou perda da capacidade de realizar atividades cotidianas, é hora de procurar ajuda profissional. Quanto mais cedo esse sofrimento é identificado, maiores são as possibilidades de intervenção adequada”, finalizou Dr. Tales Vilela.

















