Saúde admite urgência de melhorar diagnósticos e proteger equipes

Executivo faz balanço das providências tomadas desde que o primeiro caso de coronavírus foi registrado no Brasil

atualizado 27/03/2020 12:00

Passados um mês do primeiro diagnóstico de coronavírus confirmado no Brasil, o Ministério da Saúde fez um balanço de sua atuação até aqui. Entre os pontos positivos enumerados pelo secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, está a “fortaleza do sistema de vigilância epidemiológica, que detectou oportunamente os primeiros casos” e a mobilização do ministério para se preparar para uma doença nunca antes vista.

“Acionamos procedimentos operacionais, convocamos coletivas de imprensa diárias (já foram 49 encontros com os repórteres), criamos um formulário de notificação, aprovamos leis, decretos, portarias. Foi um volume de trabalho intenso, mas ainda temos muito o que fazer”, diz o secretário.

Por outro lado, ele reconheceu a necessidade de aprimorar o fluxo de notificações, que ainda é muito burocrático. Outro problema é o fornecimento de equipamentos de proteção individual para as equipes que estão atuando no enfrentamento da doença. “O eixo central da nossa resposta é um item tão simples quanto uma máscara. Sem ela, não podemos fazer nada. Foi muito complicado, porque a cidade de Wuhan, o epicentro da epidemia, é a maior produtora de tecidos e máscaras do mundo”, explicou durante coletiva de imprensa realizada na quinta (26/03). A quarentena total da região e a procura intensa de todos os países do mundo dificultou o acesso.

Outro ponto negativo é que, ao longo dos anos, foram feitos poucos investimentos em automação dos laboratórios centrais, que acabaram demorando tempo demais para processar até os testes rápidos quando o número de amostras cresceu muito. Apesar da falta de recursos, os laboratórios do país conseguiram sequenciar o genoma do coronavírus que circula no Brasil e descobriram que ele, inclusive, já adquiriu características diferentes. A expectativa do MS é de que os investimentos feitos agora, a toque de caixa, sejam um legado positivo da epidemia do coronavírus.

Futuro
O secretário-executivo do Ministério da Saúde João Gabbardo diz que é difícil fazer uma projeção do que serão os próximos meses, mas afirma que o cenário, até agora, está dentro dos parâmetros imaginados pela pasta. “Estamos com crescimento abaixo de 33% nos casos novos por dia. Nossa letalidade é de 2,6%, abaixo do resto do mundo, que já se aproxima de 4%. Porém, vamos ter números cada vez maiores nos próximos 20 ou 30 dias, e estamos preparados para essa situação”, afirma.

Wanderson e Gabbardo são enfáticos em lembrar que, apesar da quantidade de casos (são 2.915 e 78 mortes até a atualização feita na quinta-feira), ainda estamos começando a subida da epidemia de coronavírus. O pico deve acontecer em meados de abril.

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