Sarampo preocupa profissionais da saúde, mas retorno pode ser evitado

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), entre 2025 e a segunda semana de 2026 foram confirmados 15.922 casos da doença

atualizado

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Kateryna Kon/Science Photo Likbrary/Getty Images
Ilustração da partícula do vírus do sarampo. Este vírus, do grupo Morbillivirus, consiste em um núcleo de RNA (ácido ribonucleico) circundado por um envelope repleto de proteínas de superfície, como a hemaglutinina-neuraminidase e a proteína de fusão, que são utilizadas para se ligar e penetrar em uma célula hospedeira. Metrópoles
1 de 1 Ilustração da partícula do vírus do sarampo. Este vírus, do grupo Morbillivirus, consiste em um núcleo de RNA (ácido ribonucleico) circundado por um envelope repleto de proteínas de superfície, como a hemaglutinina-neuraminidase e a proteína de fusão, que são utilizadas para se ligar e penetrar em uma célula hospedeira. Metrópoles - Foto: Kateryna Kon/Science Photo Likbrary/Getty Images

*O artigo foi escrito pela médica Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e membro da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização do Programa Nacional de Imunizações da (SBIm), e publicado na plataforma The Conversation Brasil.

Os registros de 38 casos de sarampo em 2025, entre adultos e crianças, e de dois casos em 2026, todos importados de outros países, evidenciam o risco de a doença voltar ao Brasil.

Esse retrocesso não seria novidade. Em 2019, após 12 meses de transmissão sustentada da enfermidade em território nacional, o certificado de eliminação da doença conquistado em 2016 foi revogado. À época, a reintrodução do vírus foi resultado da combinação entre as baixas coberturas vacinais, sobretudo em algumas regiões do país que concentraram bolsões de indivíduos não vacinados, e a entrada de pessoas não imunizadas vindas do exterior.

Os índices de vacinação evoluíram de forma significativa desde então, em especial se comparados aos de 2020 e 2021, auge da pandemia de Covid-19. No entanto, até hoje não conseguimos alcançar a meta de 95% para as duas doses da vacina tríplice viral, que além do sarampo previne a caxumba e a rubéola. Isso deixa o Brasil suscetível à doença, notadamente em um contexto de alta circulação do vírus em países próximos.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), entre 2025 e a segunda semana de 2026 foram confirmados 15.922 casos de sarampo nas Américas, alta de 32 vezes em relação a 2024. Quase 95% dos episódios (15.084) ocorreram nos Estados Unidos, México e Canadá, sedes da próxima Copa do Mundo, em junho de 2026. Estima-se que a competição receberá 7 milhões de pessoas, incluindo milhares de brasileiros. A Bolívia, origem dos casos recentes no Brasil, ocupa a quarta posição no ranking.

Cenário exige atenção

Para evitar possíveis surtos e a eventual perda do status de país livre do sarampo, é necessário atuar em três frentes: aumento da vacinação (incluindo o resgate de adultos com esquemas irregulares), vigilância epidemiológica e resposta rápida diante de casos suspeitos. Nesse sentido, embora sempre seja possível evoluir, vale elogiar o trabalho desenvolvido pelo Ministério da Saúde nos últimos anos.

A pasta tem investido em campanhas de multivacinação para a atualização da caderneta de crianças e adolescentes, busca ativa de não vacinados, vacinação escolar e em comunicação, item fundamental para aumentar a adesão. A presença na internet se tornou mais forte, com linguagem próxima do público jovem, e o Zé Gotinha passou a participar de grandes eventos e protagonizar estratégias nas redes sociais.

A identificação e resposta a casos também têm sido efetiva. Entre outras ações, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) manteve por três semanas uma equipe no município de Campos Lindos, no Tocantins, que concentrou aproximadamente 60% dos casos de sarampo no Brasil em 2025. O trabalho em parceria com as equipes locais, que incluiu a identificação de comunicantes e vacinação de bloqueio, impediu que a cadeia de transmissão se expandisse. Medidas semelhantes foram adotadas em outros episódios.

O sarampo já esteve entre as principais causas de mortalidade infantil no país, mas foi controlado progressivamente a partir da década de 1990 e eliminado em duas ocasiões: 2016 e 2024. Por estar entre os vírus mais contagiosos — uma pessoa infectada pode transmitir para até 18 pessoas suscetíveis —, o risco de reintrodução é real.

A vacinação é a principal ferramenta preventiva. O SUS oferece a vacina gratuitamente, em duas doses, para crianças a partir de 12 meses a para adultos com menos de 30 anos de idade. Dos 30 aos 59 anos, é disponibilizada uma dose. Quem não tem certeza se já foi vacinado ou têm dúvidas se completou o esquema deve regularizar o calendário de acordo com a faixa etária. Mais do que a proteção individual, a vacinação é um ato de cuidado com quem não pode se vacinar, como crianças menores de 6 meses e imunodeprimidos. Colabore com esta causa.The Conversation

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