Metrópoles - O mais acessado do Brasil
Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Saúde

Saiba mais sobre a doença do sono, condição abordada na série Sandman

O caso citado na produção da Netflix realmente existiu no início do século 20 e matou mais de um milhão de pessoas

Vinícius Veloso26/08/2022 15:48
Metrópoles - O mais acessado do Brasil
Compartilhar notícia
Liam Daniel/Netflix
Saiba mais sobre a doença do sono, condição abordada na série Sandman

Sandman é um sucesso de audiência na Netflix. A série estreou no dia 5 de agosto e em menos de um mês se tornou viral nas redes sociais. Um detalhe específico, entretanto, estava deixando os fãs curiosos. Na produção, uma condição chamada doença do sono foi mencionada, mas os espectadores não sabiam se era real ou apenas ficção.

Fato é que a doença do sono realmente existiu. Chamada de encefalite letárgica, começou nos anos 1910 e foi responsável por matar cerca de um milhão de pessoas e deixar outras milhões de pessoas sem a capacidade de falar ou de se mover de forma independente, como se fossem estátuas vivas.

Saiba mais sobre a doença do sono, condição abordada na série Sandman - destaque galeria
4 imagens
A série adapta o quadrinho de Neil Gaiman
Série é um delírio visual
Tom Sturridge como Sonho em Sandman
Sandman
1 de 4

Sandman

Liam Daniel/Netflix/Divulgação
A série adapta o quadrinho de Neil Gaiman
2 de 4

A série adapta o quadrinho de Neil Gaiman

Netflix/Divulgação
Série é um delírio visual
3 de 4

Série é um delírio visual

Netflix
Tom Sturridge como Sonho em Sandman
4 de 4

Tom Sturridge como Sonho em Sandman

Liam Daniel/Netflix

Na época, os estudiosos não descobriram uma causa específica para a epidemia de encefalite letárgica. No entanto, os sintomas iniciais, antes da pessoa cair no sono, eram parecidos com os da gripe. Os sinais neurológicos também se desenvolviam rapidamente, quase instantaneamente.

Esperança

Em 1966, Oliver Sacks, um jovem neurologista britânico, chegou ao Hospital Beth Abraham, no Bronx, em Nova York, onde havia dezenas de pacientes com encefalite letárgica. “Eu nunca tinha visto nada assim: tantos pacientes imóveis, às vezes pareciam estar congelados em posições inusitadas, e você se perguntava: o que está acontecendo? Tem alguém vivo lá dentro?”, disse Sacks à BBC nos anos 1970.

Sacks foi o responsável por criar uma solução musical que estimulava o sistema motor dos pacientes. Junto à terapia de música, o neurologista também passou a testar um novo medicamento que é usado para tratar pessoas com doença de Parkinson. Para ele, a condição poderia ser uma forma extrema de Parkinson, assim, administrou o medicamento nos pacientes.

“Lola havia passado décadas em estado catatônico e seu despertar ocorreu em segundos. Ela pulou da cadeira e começou a falar. Foi uma cena incrível, e eu duvidaria da minha própria memória, se não fosse respaldada por todas as outras pessoas que também se lembram”, recordou Sacks, também à BBC.

Muitos haviam contraído a doença do sono na infância e despertaram como adultos de meia-idade em um mundo completamente diferente. Mas, infelizmente, com o tempo o medicamento deixou de fazer efeito. Alguns pacientes mantiveram mais funções que outros, mas nenhum se recuperou completamente novamente.

Mistério

Conforme levantamento do Jornal O Globo, até hoje não se sabe ainda qual foi a causa exata do desenvolvimento da doença. Especulações apontam para uma possível ligação com infecções virais, inclusive com o patógeno responsável pela pandemia da gripe espanhola, mas um motivo exato e comprovado não foi encontrado.

“Após 100 anos de pesquisa, a etiologia (causa) da encefalite letárgica ainda é desconhecida. Embora várias teorias tenham sido propostas, existem duas categorias principais de etiologias plausíveis: ambientais (toxicológicas) e infecciosas (virais, bacterianas, etc.). Mais recentemente, no entanto, há evidências para apoiar uma terceira teoria: auto-imunidade. Também é possível que a encefalite letárgica tenha múltiplas causas, o que poderia explicar a ampla gama de hipóteses etiológicas que foram avançadas ao longo dos anos”, concluíram os pesquisadores Hoffman e Vilensky no artigo publicado na Brain.

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters