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Nova combinação de remédios retarda câncer de próstata avançado

Estudo mostra que uso de niraparibe com terapia hormonal prolonga o tempo sem progressão do câncer em pacientes com mutações específicas

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1 de 1 Foto colorida de dois homens conversando, um ao lado do outro, vestidos com roupas claras, apontando e olhando para um pequeno tablet - Metrópoles. - Foto: Halfpoint Images / Getty Images

Um novo estudo mostrou que a combinação de dois medicamentos – niraparibe e abiraterona (acompanhada de prednisona) – pode retardar a progressão de uma forma agressiva de câncer de próstata metastático, ou seja, quando a doença já se espalhou para outras partes do corpo.

A pesquisa, publicada na revista científica Nature Medicine em 7 de outubro, teve como base um ensaio clínico de fase 3 que envolveu quase 700 homens com câncer de próstata metastático sensível à castração (mCSPC).

Todos os participantes tinham mutações em genes responsáveis pela reparação do DNA, como BRCA1 e BRCA2. Essas alterações tornam o tumor mais agressivo, mas também o deixam mais vulnerável a terapias que bloqueiam a reparação celular — como é o caso do niraparibe.

Os voluntários foram divididos em dois grupos: um recebeu a combinação niraparibe + abiraterona + prednisona, enquanto o outro recebeu apenas abiraterona + prednisona (tratamento padrão). O principal objetivo era medir o tempo que a doença demorava para voltar a crescer ou se espalhar, chamado de sobrevida livre de progressão radiográfica.

Os resultados foram animadores: os pacientes que receberam a combinação dos três medicamentos tiveram uma redução de 37% no risco de progressão ou morte em comparação ao grupo que fez o tratamento tradicional. Em pessoas com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, o benefício foi ainda maior.

De forma prática, isso significa que, para esse grupo de pacientes, a adição do niraparibe conseguiu prolongar o controle da doença sem comprometer a qualidade de vida. Segundo os pesquisadores, os pacientes mantiveram o bem-estar físico e emocional durante o tratamento, mesmo com alguns efeitos colaterais.


Derrubando mitos sobre o tratamento do câncer de próstata

  • Não se deixa de ser homem. O tratamento não envolve uso de hormônios femininos: são feitos bloqueios da produção natural de testosterona, já que o hormônio é uma das principais fontes de alimentação para o desenvolvimento dos tumores.
  • A castração é reversível. Apesar do nome, a castração química por bloqueadores hormonais tem prazo para ser feita durante o tratamento e é reversível em todos os casos. Trata-se apenas de uma pílula e não envolve retirada de órgãos como os testículos.
  • É possível manter a vida sexual. Embora muitos pacientes enfrentem problemas de incontinência urinária e disfunção erétil durante o tratamento, eles são reversíveis e tratáveis.

Entre os eventos adversos mais comuns estiveram anemia e aumento da pressão arterial, o que exige acompanhamento médico cuidadoso. Apesar disso, o estudo reforça que o equilíbrio entre benefícios e riscos pode ser favorável para pessoas com mutações genéticas específicas, desde que o tratamento seja bem monitorado.

Essa é a primeira vez que um inibidor de PARP (classe de remédios à qual o niraparibe pertence) mostrou resultados positivos em pacientes com câncer de próstata ainda sensível à castração, e não apenas em casos resistentes — estágio em que as terapias costumam falhar.

Os cientistas afirmam que o próximo passo é acompanhar esses pacientes por mais tempo para verificar se a combinação também aumenta a sobrevida global.

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