Remédios que diminuem inflamação cerebral podem reverter demência

Pesquisa descobre que controlar a inflamação no cérebro pode retardar ou até reverter o declínio cognitivo natural da idade

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atualizado 06/12/2019 15:16

Cientistas da Universidade da Califórnia (EUA) e das universidades Ben-Gurion do Negev (Israel) e Dalhousie (Canadá) descobriram uma forma de contornar o declínio cognitivo causado pela velhice. Segundo a pesquisa, publicada na revista especializada Science Translational Medicine, um medicamento capaz de conter a inflamação cerebral poderia retardar ou mesmo reverter a demência.

Os ratos senis que receberam as drogas estudadas apresentaram menos sinais de inflamação no cérebro que os do grupo controle (que não foram medicados). Eles demonstraram, ainda, maior capacidade de aprender novas tarefas, tornando-se quase tão aptos quanto ratos com metade da idade. Por enquanto, os pesquisadores realizaram testes apenas em animais, mas a expectativa é que os experimentos sejam feitos em humanos em breve.

Daniela Kaufer, professora de biologia integrativa da UC Berkeley e uma das autoras do estudo, explicou em entrevistas que, com a idade, é normal que aconteça perda de função cerebral e morte de células. O estudo indicaria um novo motivo para explicar o declínio na função cerebral: o excesso de inflamação no órgão.

Quando esse “nevoeiro inflamatório” é removido, segundo Kaufer, em poucos dias o cérebro envelhecido age como um órgão jovem. “É uma descoberta realmente otimista, em termos da capacidade de plasticidade existente no cérebro. Podemos reverter o envelhecimento cerebral”, afirmou a cientista.

Já se sabe, de acordo com os pesquisadores, que, com a idade, o sistema de filtragem que impede que moléculas ou organismos infecciosos no sangue vazem para o cérebro (a chamada barreira hematoencefálica) torna-se falho. Isso faz com que produtos químicos penetrem no órgão, causando inflamação e morte celular.

Exames de ressonância magnética feitos pela equipe de pesquisadores descobriu que, após os 70 anos, quase 60% dos adultos têm barreiras sanguíneas e cerebrais fragilizadas.

Nos testes com ratos, os cientistas observaram que o nevoeiro inflamatório induzido por uma barreira hematoencefálica com vazamento altera os ritmos normais do cérebro, causando microconvulsões (lapsos momentâneos no ritmo normal do hipocampo). Esses eventos podem produzir alguns dos sintomas observados em doenças cerebrais degenerativas, como a doença de Alzheimer. As inflamações também causaram ritmos cerebrais anormais, ocasionando sintomas parecidos com os da epilepsia e do comprometimento cognitivo leve.

Os dois resultados podem ser medidos por ressonância magnética e eletroencefalogramas. Os exames também ajudaram a desenvolver a droga para retardar ou reverter essas consequências.

A partir desses resultados, os pesquisadores sintetizaram uma molécula chamada IPW. Ela é responsável pelo bloqueio dos receptores que dão início à inflamação. Além de aliviar os sintomas, a droga consegue reparar a barreira danificada.

Agora, eles iniciaram uma empresa para desenvolver o medicamento em larga escala. O remédio seria capaz de curar a barreira hematoencefálica para tratamento clínico de problemas como acidente vascular cerebral, concussão, traumatismo cranioencefálico e doenças como Alzheimer. (Com informações do Eurekalert)

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