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Saúde

Remédio aprovado pela FDA pode ajudar a tratar câncer raro de fígado

Medicamento utilizado em outro tratamento pode ajudar na imunoterapia do carcinoma fibrolamelar, tipo raro de câncer de fígado

26/06/2026 13:28, atualizado 26/06/2026 13:42
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Mohammed Haneefa Nizamudeen/ Getty Images
Ilustração de fígado com tumor de câncer - Estudo sugere que reduzir proteína pode desacelerar câncer de fígado - Metrópoles

A agência federal de saúde americana, FDA, aprovou um medicamento capaz de agir contra um tipo raro de câncer de fígado, o carcinoma fibrolamelar. Um estudo publicado na revista Gastroenterology, em abril deste ano, mostra que o remédio aprovado para outra condição médica, o AMD3100, pode ajudar o sistema imunológico dos pacientes a alcançar e destruir o câncer.

O carcinoma fibrolamelar é um tipo raro e agressivo da doença que afeta crianças, jovens e adultos, e ainda não tem cura. Este câncer representa cerca de 2% dos casos e normalmente é descoberto tardiamente, quando já se espalhou pelo corpo, o que limita as opções de tratamento.

A imunoterapia convencional de tratamento de cânceres utiliza um método baseado em inibidores de checkpoint imunológico, que atuam diretamente nas células T para que estas migrem até as células cancerígenas e as destruam. Mesmo funcionando de forma adequada em outros órgãos do corpo, no fígado, para esse tipo de câncer, elas falharam devido a um processo chamado de exclusão de células T.

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Entendendo como as células cancerígenas funcionam

Para entender o porquê de as células T não chegarem às células cancerígenas, os pesquisadores utilizaram uma tecnologia avançada, a transcriptômica de núcleo único, que mapeia o microambiente do tumor e o mecanismo de evasão dele.

Dessa forma, eles identificaram que o tumor é caracterizado por faixas espessas e fibrosas, produzidas pelas células hepáticas normais, mas que se alteram devido ao câncer; essas células são chamadas de estreladas.

Essas células estreladas alteram os sinais enviados às células T, modificando os caminhos que elas deveriam fazer para eliminar as células dos cânceres. Assim, em vez de atacarem o câncer, as células T atacam as faixas fibrosas.

“Foi somente quando conseguimos usar essa tecnologia que o quadro do microambiente tumoral começou a ficar mais claro para nós”, destacou Andreas Stephanou, um dos primeiros autores do estudo, ao ScienceDaily.

Atuação do medicamento AMD3100 nas células cancerígenas

Com o medicamento AMD3100, em testes em tecidos tumorais, os pesquisadores obtiveram resultados bem-sucedidos, pois o medicamento bloqueou a sinalização incorreta das células T e as redirecionou para o centro dos tumores.

Quando o novo medicamento foi combinado com a quimioterapia convencional, os resultados foram ainda melhores, gerando uma destruição ainda maior das células cancerígenas.

Como o medicamento já possui a aprovação da FDA para outro uso, os pesquisadores destacam que os riscos e cronogramas para o desenvolvimento de testes em humanos podem ser em tempo reduzido e acelerado, reforçou o coautor do estudo, Praveen Sethupathy, professor de genômica fisiológica e chefe do Departamento de Ciências Biomédicas da Faculdade de Medicina Veterinária.