Gastroenterologista lista os principais sintomas da pancreatite
O risco de pancreatite é maior em pessoas com cálculos biliares, consumo abusivo de álcool, tabagismo e obesidade
atualizado
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Dor forte na parte alta do abdômen, náuseas, vômitos e febre podem ser sinais de pancreatite. A doença é caracterizada pela inflamação do pâncreas e ocorre quando enzimas digestivas, que deveriam ser ativadas apenas no intestino, passam a agir dentro do próprio órgão, provocando irritação e lesões.
Os principais sintomas incluem dor intensa e contínua na região superior do abdômen, que pode irradiar para as costas, além de náuseas, vômitos, febre e dificuldade para se alimentar. Em muitos casos, o desconforto piora após as refeições, ingestão de álcool ou ao deitar de barriga para cima, podendo durar horas ou até dias.
Diferente de dores abdominais comuns, leves e passageiras, a dor da pancreatite tende a ser persistente e incapacitante, exigindo atenção médica.
Quando a pancreatite é considerada grave?
Os sinais de gravidade incluem comprometimento de outros órgãos, como dificuldade para respirar, problemas renais e queda significativa da pressão arterial. Também podem ocorrer desidratação, redução da produção de urina e alterações em exames laboratoriais. Nesses casos, a internação é necessária.
“A dor deve ser tratada como emergência quando é muito intensa, não melhora ou vem acompanhada de sinais como pressão baixa, falta de ar, diminuição da urina ou confusão mental. As formas graves podem levar a complicações sérias e até à morte, especialmente quando há falência de outros órgãos. É fundamental procurar atendimento médico imediato”, explica a gastroenterologista Daniela Carvalho, da clínica Gastrocentro.
O diagnóstico é feito com base em três pilares: sintomas típicos, exames de sangue (amilase e lipase elevadas) e exames de imagem, como tomografia ou ressonância.
Diferença entre pancreatite aguda e crônica
A pancreatite pode se manifestar de formas distintas, com sintomas e evolução diferentes conforme o tipo da doença. Enquanto a forma aguda surge de maneira repentina, a pancreatite crônica costuma ter evolução mais lenta e silenciosa, com impacto progressivo na saúde.
“Na pancreatite crônica, a dor é persistente, geralmente piora após as refeições e pode vir acompanhada de perda de peso e diarreia gordurosa. Há também risco de desenvolvimento de diabetes devido à deterioração da função do pâncreas”, explica a médica especialista em endocrinologia Verônica El Afiouni, do INKI – Saúde Digital.
Segundo a especialista, a alimentação tem papel fundamental tanto na prevenção quanto no controle da doença. “Evitar gorduras saturadas, alimentos ultraprocessados e o consumo de álcool é essencial para preservar a função glandular”, orienta a médica.
Pancreatite pode voltar?
Cerca de uma em cada cinco pessoas que já tiveram pancreatite pode apresentar novos episódios. O risco varia de acordo com a causa, mas tende a diminuir quando o fator desencadeante é tratado — como a retirada da vesícula em casos de cálculos biliares ou a interrupção do consumo de álcool.
Mulheres no período da perimenopausa podem ter risco aumentado por alterações metabólicas. O risco de pancreatite é maior em pessoas com cálculos biliares, consumo abusivo de álcool, tabagismo, obesidade (IMC acima de 30), níveis elevados de triglicerídeos (acima de 1.000 mg/dL), idade superior a 60 anos ou histórico familiar da doença.
A adoção de hábitos saudáveis, como reduzir o consumo de álcool e priorizar alimentos com perfil anti-inflamatório, ajuda a proteger o pâncreas.
