Presidente do AA explica como abandonar o álcool e tratar o vício.
Doença afeta famílias inteiras e exige apoio médico e social contínuo. Veja sinais de que o álcool virou vício e onde procurar ajuda

O alcoolismo é uma doença crônica e progressiva, reconhecida como um grave problema de saúde pública. Apesar de ainda ser cercado por estigmas, o consumo abusivo de álcool está associado a acidentes, violência e doenças do fígado, por exemplo. Em entrevista ao Metrópoles, o presidente da Junta de Serviços Gerais do Alcoólicos Anônimos do Brasil, Jamil Ribeiro Leitão, explica como largar o vício.
Os impactos não se restringem a quem bebe: famílias inteiras e a própria sociedade também sofrem as consequências. De acordo com dados do governo federal, o álcool está entre os principais fatores de risco evitáveis para mortes e adoecimento no Brasil. Por isso, identificar o problema precocemente e buscar ajuda adequada são passos fundamentais para reduzir danos e salvar vidas.
Como enfrentar o alcoolismo e se manter sóbrio
- Reconhecer que o álcool se tornou um problema.
- Evitar ambientes e situações que incentivem o consumo de ácool.
- Buscar acompanhamento médico ou psicológico.
- Estar próximo de familiares e pessoas de confiança dispostas a ajudar.
- Estabelecer uma rotina com horários e atividades estruturadas.
- Procurar grupos de apoio ou serviços especializados.
- Não se culpar por recaídas: retomar o cuidado é parte do processo.
Reconhecer o problema é o primeiro passo
O enfrentamento do alcoolismo começa pelo reconhecimento de que o consumo deixou de ser controlado. Sinais como perda de limites ao beber, dificuldade de ficar sem álcool, prejuízos no trabalho ou nos relacionamentos e sintomas físicos ou emocionais quando não se bebe indicam que algo não vai bem.
“O primeiro passo é entender que o alcoolismo é uma doença. Sem esse reconhecimento e essa aceitação, não há como ajudar”, afirma Leitão.
Esse reconhecimento nem sempre é fácil e, muitas vezes, vem acompanhado de negação. Ainda assim, aceitar que o álcool se tornou um problema é imprescindível para iniciar qualquer processo de tratamento.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência“Diferente de outras doenças crônicas, como diabetes ou hipertensão, no alcoolismo muitas pessoas resistem ao tratamento porque não aceitam que estão doentes”, afirma.
Tratamento exige apoio e mudança de rotina
O cuidado com o alcoolismo pode envolver diferentes estratégias, como acompanhamento médico, psicológico e participação em serviços especializados. No SUS, os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) oferecem atendimento gratuito, com foco na redução de danos e na recuperação.
Além do suporte profissional, mudanças na rotina ajudam a enfrentar o vício, como evitar ambientes associados à bebida, reorganizar hábitos diários e fortalecer vínculos sociais fora do contexto do álcool.

A família também faz parte do processo
O alcoolismo não afeta apenas quem consome a bebida. Quando alguém adoece, a família também sofre impactos emocionais, financeiros e sociais. Especialistas afirmam que o apoio familiar pode ser decisivo para que a pessoa busque e mantenha o tratamento.
No Brasil, estima-se que 12 pessoas morram por hora por causas relacionadas ao álcool, o equivalente a 288 mortes por dia, o que reforça a urgência do tema como questão de saúde pública.
Recaída não é fracasso
A recaída pode acontecer ao longo do processo de recuperação e não deve ser encarada como fracasso definitivo. Ela faz parte da trajetória de muitas pessoas e indica a necessidade de reforçar cuidados, apoio e estratégias de enfrentamento. O mais importante é não desistir do tratamento e buscar novamente ajuda sempre que necessário.
Onde buscar ajuda
Quem enfrenta dificuldades com o álcool pode procurar os serviços públicos de saúde, como os CAPS AD, ou buscar apoio em iniciativas comunitárias espalhadas pelo país.
Uma delas é o Alcoólicos Anônimos do Brasil, que atua no país desde 1947. A entidade oferece reuniões presenciais e online, com acolhimento gratuito e anônimo para pessoas que desejam parar de beber.
Segundo Leitão, o princípio do trabalho é simples: “O alcoolismo é uma doença sem cura, mas com tratamento”. Atualmente, o AA realiza mais de 9 mil reuniões semanais no Brasil.
Informações sobre dias, horários e linhas de ajuda estão disponíveis no site aa.org.br e no aplicativo A.A. Brasil Oficial, que reúne 65 canais de atendimento por telefone e WhatsApp em todo o país.



