Por que perdemos energia com a idade? Estudo encontra pistas

Pesquisa liga envelhecimento celular à perda de um lipídio, molécula orgânica essencial das mitocôndrias

atualizado

metropoles.com

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Homem cansado após um longo dia. Metrópoles
1 de 1 Homem cansado após um longo dia. Metrópoles - Foto: Magnific

Sentir menos disposição com o passar dos anos é algo comum, mas os mecanismos por trás desse processo ainda levantam muitas dúvidas na ciência. Agora, um estudo publicado na revista Nature Communications em 18 de abril sugere que parte dessa perda de energia pode estar associada a mudanças nas membranas das mitocôndrias, estruturas responsáveis por produzir energia dentro das células.

A pesquisa foi liderada por cientistas do Instituto Leibniz do Envelhecimento, na Alemanha, e aponta que a redução de um tipo específico de gordura presente nas membranas celulares pode desestabilizar as mitocôndrias e acelerar sinais associados ao envelhecimento.

Essas estruturas funcionam como verdadeiras “usinas” das células. Elas produzem a energia necessária para processos como movimento, reparação dos tecidos e funcionamento dos órgãos. Com a idade, porém, passam a funcionar de forma menos eficiente.

Durante muito tempo, pesquisadores acreditaram que o principal motivo desse declínio era o acúmulo de danos genéticos dentro das próprias mitocôndrias. O novo estudo propõe uma explicação diferente.

O papel de uma gordura essencial

O foco dos pesquisadores foi a fosfatidilcolina, um lipídio importante para manter as membranas celulares flexíveis e funcionais. Tais característica ajudam as mitocôndrias a se fundirem e formarem redes dentro das células.

Essas conexões são importantes porque permitem a troca de energia, moléculas e componentes celulares. Quando essa rede começa a falhar, as células perdem eficiência.

O estudo mostrou que a produção de fosfatidilcolina diminui com a idade. Sem essa substância, as mitocôndrias ficam mais fragmentadas e apresentam características típicas de células envelhecidas.

Os cientistas fizeram testes em vermes usados em pesquisas sobre envelhecimento e observaram que, ao bloquear genes ligados à produção desse lipídio, as mitocôndrias rapidamente passaram a se comportar como as de organismos idosos.

Depois, os pesquisadores alimentaram os animais com fosfatidilcolina e colina, substância precursora desse lipídio. Em apenas dois dias, as estruturas celulares voltaram a apresentar aparência mais jovem.

“Nós mesmos ficamos surpresos com a forte influência dessa molécula na estrutura, conectividade e função das mitocôndrias”, afirmou a pesquisadora Tetiana Poliezhaieva, primeira autora do estudo, em comunicado.

O que acontece dentro das células

Segundo os autores, as mitocôndrias normalmente funcionam como uma rede dinâmica, capaz de se reorganizar conforme a necessidade energética do organismo. Com o envelhecimento, porém, essas conexões vão se rompendo.

“Podemos imaginar esse sistema como uma rede elétrica que se torna cada vez mais danificada com a idade”, explicou Maria Ermolaeva, coordenadora do estudo.

Isso não significa que a produção de energia pare completamente, mas ela se torna menos eficiente e menos adaptável. Aos poucos, as células perdem a capacidade de responder rapidamente às demandas do corpo.

Os pesquisadores afirmam que essa perda de flexibilidade metabólica pode estar ligada não apenas ao envelhecimento natural, mas também a doenças como diabetes.

Diferenças entre homens e mulheres

A equipe analisou vermes, células humanas e dados clínicos de pacientes para entender como essas alterações aparecem ao longo da vida. Um dos achados que chamou atenção foi a diferença observada em mulheres próximas da menopausa. Nesse grupo, houve uma queda mais acentuada nos níveis de fosfatidilcolina.

“Essa observação é particularmente relevante, pois coincide com um período em que muitas mulheres relatam redução de energia e fadiga persistente”, afirmou Ermolaeva.

Os autores destacam que ainda são necessários novos estudos para saber se essas descobertas podem ser transformadas em tratamentos ou recomendações específicas para humanos. Mesmo assim, o trabalho reforça a ideia de que alguns aspectos do envelhecimento podem ser influenciados por fatores biológicos modificáveis, incluindo a alimentação.

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