Por que a dexametasona representa esperança para o tratamento da Covid-19

O corticoide é o primeiro medicamento a ter a eficácia comprovada em relação à redução de mortes em pacientes com quadros graves

atualizado 18/06/2020 13:59

Comprimidos de dexametasonaMatthew Horwood/Getty Images

Dexametasona. Esse corticoide de nome complicado está longe de ser um desconhecido entre pacientes de doenças como reumatismo, alergias graves, asma, entre outras. Agora, no entanto, ele se torna um dos protagonistas na luta contra a pandemia de Covid-19 depois de uma pesquisa da Universidade de Oxford comprovar a eficácia do medicamento para reduzir o número de mortes em pacientes graves da Covid-19 e a Organização Mundial da Saúde (OMS)  classificar a pesquisa como um “avanço científico”.

“Este é o primeiro ensaio clínico randomizado sobre os efeitos dos corticoides para Covid-19 e os resultados divulgados mostram uma redução de 35% no risco de morte entre pacientes mais graves (em uso de ventilação mecânica). Os resultados são realmente impressionantes considerando ainda que a dexametasona é uma intervenção barata e acessível”, afirma Rachel Riera, coordenadora no Instituto Sírio Libanês de Ensino e Pesquisa.

A pesquisa da Universidade Oxford ainda será publicada, mas o próprio Reino Unido já anunciou que o corticoide fará parte do tratamento padrão de pacientes graves com Covid-19. No Brasil, a eficácia da dexametasona também está sendo pesquisa em pacientes internados em 40 unidades hospitalares do país.

De acordo com dados divulgados pelos pesquisadores ingleses, o tratamento com o corticoide representou redução de mortes de 35% no grupo de pacientes que utilizaram respiradores e de 20% no grupo dos que precisaram de outro tipo de suporte respiratório. O uso do medicamento, no entanto, não apresentou resultados relevantes em relação aos quadros mais leves de Covid-19. Com a publicação completa do trabalho será possível obter mais informações sobre a posologia usada e os estado detalhado dos pacientes.

A dexametasona existe deste a década de 1960 e está listada na Lista Modelo de Medicamentos Essenciais da OMS desde 1977.

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