A pesquisa mostra que pessoas com níveis mais altos de glicemia após as refeições (pós-prandial, medida 2 horas após as refeições) possuem um risco ampliado de demência. Os acúmulos de proteínas tóxicas no cérebro associadas ao Alzheimer foram mais frequentemente encontrados em pessoas com diabetes mesmo nos casos em que não havia qualquer sintoma de declínio cognitivo.
A equipe de endocrinologistas e farmacêuticos da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, apontou, porém, que mesmo pessoas sem diabetes diagnosticada, mas com distúrbios genéticos que prejudicavam o processamento da glicose no organismo, enfrentavam o mesmo problema.
Após a análise, os dados revelaram uma clara associação no quintil de glicemia pós-prandial mais alta, ou seja, os 20% que tiveram maiores índices médios registrados entre os voluntários. Eles apresentaram risco 69% maior de desenvolver o Alzheimer.
“Esta descoberta pode ajudar a moldar futuras estratégias de prevenção, destacando a importância do controle do açúcar no sangue não apenas de forma geral, mas especificamente após as refeições”, afirma Andrew Mason, autor principal do estudo.
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O diabetes é uma doença que tem como principal característica o aumento dos níveis de açúcar no sangue. Grave e, durante boa parte do tempo, silenciosa, pode afetar vários órgãos do corpo, tais como: olhos, rins, nervos e coração, quando não tratada
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O diabetes surge devido ao aumento da glicose no sangue, que é chamado de hiperglicemia. Isso ocorre como consequência de defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas
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A função principal da insulina é promover a entrada de glicose nas células, de forma que elas aproveitem o açúcar para as atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação ocasiona o acúmulo de glicose no sangue, que em circulação no organismo vai danificando os outros órgãos do corpo
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Uma das principais causas da doença é a má alimentação. Dietas ruins baseadas em alimentos industrializados e açucarados, por exemplo, podem desencadear diabetes. Além disso, a falta de exercícios físicos também contribui para o mal
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O diabetes pode ser dividido em três principais tipos. O tipo 1, em que o pâncreas para de produzir insulina, é a tipagem menos comum e surge desde o nascimento. Os portadores do tipo 1 necessitam de injeções diárias de insulina para manter a glicose no sangue em valores normais
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Já o diabetes tipo 2 é considerada a mais comum da doença. Ocorre quando o paciente desenvolve resistência à insulina ou produz quantidade insuficiente do hormônio. O tratamento inclui atividades físicas regulares e controle da dieta
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O diabetes gestacional acomete grávidas que, em geral, apresentam histórico familiar da doença. A resistência à insulina ocorre especialmente a partir do segundo trimestre e pode causar complicações para o bebê, como má-formação, prematuridade, problemas respiratórios, entre outros
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Além dessas, existem ainda outras formas de desenvolver a doença, apesar de raras. Algumas delas são: devido a doenças no pâncreas, defeito genético, por doenças endócrinas ou por uso de medicamento
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É comum também a utilização do termo pré-diabetes, que indica o aumento considerável de açúcar no sangue, mas não o suficiente para diagnosticar a doença
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Os sintomas do diabetes podem variar dependendo do tipo. No entanto, de forma geral, são: sede intensa, urina em excesso e coceira no corpo. Histórico familiar e obesidade são fatores de risco
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Alguns outros sinais também podem indicar a presença da doença, como saliências ósseas nos pés e insensibilidade na região, visão embaçada, presença frequente de micoses e infecções
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O diagnóstico é feito após exames de rotina, como o teste de glicemia em jejum, que mede a quantidade de glicose no sangue. Os valores de referência são: inferior a 99 mg/dL (normal), entre 100 a 125 mg/dL (pré-diabetes), acima de 126 mg/dL (diabetes)
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Qualquer que seja o tipo da doença, o principal tratamento é controlar os níveis de glicose. Manter uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios ajudam a manter o peso saudável e os índices glicêmicos e de colesterol sob controle
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Quando o diabetes não é tratado devidamente, os níveis de açúcar no sangue podem ficar elevados por muito tempo e causar sérios problemas ao paciente. Algumas das complicações geradas são surdez, neuropatia, doenças cardiovasculares, retinoplastia e até mesmo depressão
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O que causa a associação entre diabetes e Alzheimer
Agora, os pesquisadores querem avaliar outros grupos populacionais, fora do Reino Unido, para confirmar se a associação se repete nesse nível. Se ela for confirmada, tratar a diabetes pode se tornar passo chave para tratar o Alzheimer.
“O Alzheimer pode começar silenciosamente até 30 anos antes dos primeiros sintomas, então temos uma janela grande para agir em seus fatores de risco antes dos sintomas. Metade dos casos de demência podem ser prevenidos ou adiados com mudanças no estilo de vida e controle de fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, tabagismo, depressão e isolamento social”, afirma a endocrinologista Alessandra Rascovski, da clínica AtmaSoma, em São Paulo, que não participou do estudo.