Hiperglicemia não afeta apenas pessoas com diabetes. Conheça os riscos
Excesso de açúcar no sangue pode acontecer também em quem não tem diabetes, passar despercebido e elevar riscos futuros
atualizado
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Você já comeu alimentos ricos em açúcar e teve as sensações de tontura ou de zumbido? Esses são os sinais mais claros de uma subida rápida na quantidade de glicose no sangue, quadro conhecido como hiperglicemia.
Embora seja mais comum em quem tem diabetes, ela não é exclusiva de pacientes com a condição. Na maioria das vezes, esse pico de glicose no organismo ocorre sem que sejam sentidos sintomas, mas ela pode levar a sérios comprometimentos metabólicos com o passar do tempo.
“Não vai gerar nenhum sintoma, é uma hiperglicemia leve, então o paciente não vai saber que tem uma alteração de glicose, a gente só vai conseguir fazer esse diagnóstico mesmo por exames”, afirma a endocrinologista Thais Castanheira, do centro clínico do Órion Complex, de Goiânia.
Também conhecida como glicemia alta, a condição surge quando o organismo produz pouca insulina ou quando a ingestão de doces é tão alta que o hormônio não consegue lidar com a demanda.
O que é a hiperglicemia?
A glicose provém principalmente dos carboidratos presentes em alimentos e bebidas, inclusive as alcoólicas e é a fonte central de energia para as células. Como os alimentos mudam muito os níveis do exame de glicemia, ele costuma ser feito em jejum, com a meta de registrar índices no sangue menores a 100 mg/dL.
É comum que logo após as refeições, especialmente naquelas em que comemos um pouco além da conta, que esses níveis de glicose subam muito. Mas eles costumam ser ajustados até duas horas depois da ingestão em indivíduos saudáveis.
Há comportamentos, porém, que podem provocar oscilações prejudiciais e manter a hiperglicemia. Jejuns não planejados seguidos pelas ingestão súbita de um alimento muito calórico, são um exemplo, assim como fazer refeições apenas com carboidratos, sem equilibrar a ingestão de proteínas e fibras.
“Seguindo um estilo de vida que condiz com uma alteração constante de glicose, ou seja, um consumo alto de carboidrato, açúcar e sedentarismo, os riscos de ter a doença no futuro aumentam muito, ainda mais se o paciente tem história familiar positiva para diabetes”, completa a endocrinologista.
O risco de pré-diabetes
Esse aumento súbito sobrecarrega mecanismos reguladores e a repetição desse padrão aumenta o risco de desregulação no longo prazo. A repetição de episódios indica falhas no controle metabólico e pode representar estágio inicial de alterações mais duradouras, como é o caso da pré-diabetes.
A condição clínica é caracterizada por níveis elevados de glicose que ainda não atingem critérios diagnósticos de diabetes tipo 2. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 50% das pessoas com pré-diabetes evoluem para diabetes tipo 2.
“A gente consegue definir a pré-diabetes através dos exames, como glicemia de jejum, hemoglobina glicada e pela curva glicêmica. É uma situação de hiperglicemia leve, que ainda não fecha critérios para diabetes, mas também não é uma glicose normal”, afirma Castanheira.
Apesar disso, a condição pode ser revertida. Mudanças consistentes no cotidiano reduzem risco de progressão para diabetes tipo 2. “Se o paciente começa a fazer atividade física, diminui o consumo de carboidrato, melhora a qualidade desses carboidratos que ele está ingerindo, diminui o consumo de açúcar, de processados, passa a ter um estilo de vida mais saudável, ele pode conseguir normalizar completamente a glicemia”, completa a endocrinologista.
Diagnóstico precoce e impacto do estilo de vida
A endocrinologista Lanna Gomes, também de Goiânia, destaca grupos de risco que exigem rastreio constante da glicose. Pessoas com sobrepeso, obesidade, histórico familiar de diabetes, pressão alta, colesterol alterado ou gordura no fígado entram nesse grupo. Mulheres com síndrome dos ovários policísticos ou histórico de diabetes gestacional também apresentam risco aumentado.
Quem recebe diagnóstico de pré-diabetes pode normalizar as taxas com acompanhamento. “Trabalhamos em três frentes. A primeira é ter um estilo de vida estruturado, com perda de peso, alimentação equilibrada e exercício regular. A segunda é uma avaliação de causas associadas, como resistência à insulina, tireoide, apneia do sono, síndrome dos ovários policísticos e fígado gorduroso. E a terceira são as medicações selecionadas”, conclui a médica.




















