Entre latidos e carinho: como pets ajudam na saúde mental de idosos

Convivência com animais pode reduzir solidão, estimular rotina e trazer benefícios emocionais, mas especialistas destacam cuidados na adoção

atualizado

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homem idoso sorridente sentado na cama . ele acaricia um cachorro grande preto. Idosos com pets. Metrópoles
1 de 1 homem idoso sorridente sentado na cama . ele acaricia um cachorro grande preto. Idosos com pets. Metrópoles - Foto: Freepik

O envelhecimento pode ser marcado por mudanças na rotina e, muitas vezes, por períodos de maior solidão. Neste cenário, a convivência com animais de estimação tem ganhado destaque como uma possível aliada para o bem-estar emocional dos idosos.

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles explicam que o vínculo com um pet pode oferecer companhia constante e ajudar a reorganizar o cotidiano.

A psicóloga Luciana Oliveira, especialista em terapia cognitivo-comportamental, de São Paulo, afirma que a presença do animal cria laços afetivos e uma sensação de pertencimento. “O pet funciona como uma presença constante, oferecendo afeto sem julgamento, o que diminui a percepção de vazio e isolamento”, diz.

Ela acrescenta que os cuidados diários também ajudam a estruturar a rotina. Alimentar, passear e brincar com o animal estimulam movimento, aumentam o senso de utilidade e favorecem interações sociais. Segundo a psicóloga, o pet muitas vezes se torna uma ponte para conversas com vizinhos, familiares ou outras pessoas na rua.

O psiquiatra André Botelho, do Hospital Sírio-Libanês, destaca que essa relação pode ajudar especialmente em fases marcadas por perdas e mudanças.

“O animal oferece uma companhia viva, alguém que responde, pede atenção e cria troca afetiva. Isso pode sustentar o interesse pelo mundo e ajudar a atravessar lutos sem cair em isolamento silencioso”, afirma.

Estudos em neurociência também indicam que interações simples com animais, como olhar, tocar ou brincar, podem ativar circuitos ligados ao vínculo e à regulação do estresse. No caso dos cães, a necessidade de passeios tende a estimular saídas de casa e contatos sociais, o que contribui para reduzir a sensação de solidão.

Imagem de um casal de idosos com um gato no colo. Metrópoles
Ter um pet na terceira idade melhora significativamente a saúde física e mental dos idosos

Impacto na saúde emocional

Há evidências de que a convivência com pets pode estar associada à melhora de sintomas de ansiedade, depressão e estresse, embora os resultados variem de pessoa para pessoa. Luciana explica que idosos que convivem com animais frequentemente relatam maior suporte emocional e sensação de bem-estar.

Ela ressalta que gestos simples, como acariciar um animal, podem reduzir níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse, e favorecer a sensação de calma. Idosos que moram sozinhos e têm pets também costumam relatar menor percepção de isolamento, fator que influencia diretamente a saúde mental.

André Botelho aponta que os benefícios não são automáticos. A adaptação depende da saúde do idoso, do apoio familiar e das características do animal. Em alguns casos, as demandas podem gerar preocupação ou cansaço, especialmente quando há limitações físicas ou cognitivas.

Cuidados antes da adoção

Antes de adotar um animal, os especialistas recomendam avaliar condições de saúde, mobilidade e rotina do idoso.

O clínico geral e geriatra Paulo Camiz, professor da Universidade de São Paulo e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, lembra que o risco de quedas precisa ser considerado, principalmente com cães que puxam a guia durante passeios.

“É preciso avaliar se o idoso tem condição física e cognitiva para cuidar do animal. Um pet pode trazer benefícios, mas também exige responsabilidade e custos”, explica o médico.

Ele também alerta para questões de saúde, como alergias, vacinação e possíveis doenças transmitidas por animais. Além disso, a família deve pensar em quem ficará responsável pelo pet em viagens ou eventuais internações.

Segundo o geriatra, a escolha do animal deve levar em conta o perfil do idoso, o temperamento do pet e a estrutura disponível para os cuidados. Quando essa combinação funciona bem, a convivência pode trazer ganhos emocionais importantes e contribuir para uma rotina mais ativa e conectada.

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