Pessoas sem diagnóstico são as que mais disseminam coronavírus

Estudo publicado na revista Science mostra que as pessoas que apresentam quadros mais leves da doença são as que mais espalham o novo vírus

atualizado 16/03/2020 19:55

Pessoas com o novo coronavírus que não foram diagnosticadas são as maiores responsáveis pela disseminação rápida da doença, segundo estudo publicado nesta segunda-feira (16/03), na Science. A descoberta indica o tamanho do desafio que as autoridades sanitárias mundiais têm pela frente para conter a pandemia.

Segundo cientistas da Escola de Saúde Pública da Universidade de Columbia, nos EUA, que assinam o trabalho, mais de 80% das pessoas com o novo vírus são assintomáticas ou apresentam sintomas muito brandos e, por isso, acabam não sendo diagnosticadas.

Os casos mais brandos ou mesmo assintomáticos da Covid-19 são até 50% menos contagiosos do que os mais graves. No entanto, como são muito mais numerosos, seriam os grandes responsáveis pela disseminação descontrolada do vírus.

“A explosão do número de casos do Covid-19 na China foi largamente provocada por aqueles indivíduos que apresentavam sintomas muito brandos ou nem apresentavam sintomas e acabaram não sendo diagnosticados”, afirmou um dos autores do estudo, Jeffrey Shaman, professor da Universidade de Columbia, em comunicado. “Dependendo de quão contagiosas são essas pessoas e da quantidade delas, uma parcela muito grande da população será exposta ao vírus.”

Para Shaman, essas transmissões são, atualmente, o maior desafio para conter a pandemia. Por isso as medidas de distanciamento social são tão importantes. São a única maneira de impedir que pessoas que não apresentam sintomas disseminem a doença.

Epidemiologistas e virologistas têm repetido que a testagem maciça da população (e o posterior isolamento dos infectados e seus contatos) é fundamental para conter a pandemia. No entanto, nem todos os países dispõem de testes diagnóstico em tão grande quantidade e há o temor de sobrecarga dos serviços de saúde.

Os pesquisadores da Columbia usaram um modelo matemático alimentado por dados sobre a infecção e a disseminação da doença na China e também por informações sobre as movimentações populacionais entre janeiro e fevereiro.

O alerta mundial sobre a epidemia, as restrições de viagens e o aumento das medidas de proteção ajudaram a reduzir a velocidade da disseminação da infecção na China. Mas não está claro ainda se essa redução será suficiente para deter completamente o vírus.

“Se o novo coronavírus seguir o padrão do H1N1 da pandemia de influenza de 2009, ele vai se espalhar globalmente e se transformar no quinto coronavírus endêmico entre a população humana.”

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