Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube

Apuração pelo Brasil

Saúde

Pessoas negras podem ter maiores complicações na gravidez, aponta estudo

Análise com 1,5 milhão de nascimentos mostra taxas mais altas de problemas graves na gestação, parto e pós-parto entre pessoas negras

05/10/2026 12:37, atualizado 05/10/2026 12:38
Magnific
Retrato de futura mãe com barriga de grávida aguardando o médico para consulta de pré-natal no consultório; mulher grávida sentada na maca antes da consulta com o obstetra. Metrópoles

Pessoas negras apresentam maior risco de complicações graves durante a gravidez, o parto e o período pós-parto, segundo um novo estudo publicado nesta segunda-feira (5/10) no Canadian Medical Association Journal. A análise reúne dados de quase 1,5 milhão de nascimentos no Canadá entre 2012 e 2023.

Os pesquisadores avaliaram a chamada morbidade materna grave, que inclui situações com risco de vida, como pré-eclâmpsia, hemorragia, sepse, problemas cardíacos e insuficiência renal. Essas condições podem ocorrer durante a gestação, no momento do parto ou nas semanas seguintes.

Diferença aparece em todos os cenários

A taxa de complicações graves foi de 47,8 casos a cada mil nascimentos entre pessoas negras. Entre pessoas brancas, o índice foi de 27,7 por mil. Mesmo após considerar fatores como idade, renda e condições de saúde, o risco permaneceu maior. Pessoas negras tiveram 66% mais chance de enfrentar esse tipo de complicação.

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

A diferença se manteve em todos os grupos analisados. Ela apareceu em diferentes níveis de renda, entre pessoas imigrantes e não imigrantes e também após a exclusão de doenças específicas que poderiam influenciar o resultado, como anemia falciforme e HIV.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

O que explica o resultado

Os autores destacam que a raça não deve ser vista como causa biológica das complicações. Segundo a equipe, os dados apontam para fatores sociais e estruturais.

“Ser negra não é causa de complicações graves na gravidez. Raça é uma construção social”, afirma a epidemiologista Giulia Muraca, da Universidade McMaster, uma das autoras do estudo, em comunicado.

Para ela, os resultados indicam a necessidade de investigar condições de acesso ao cuidado, qualidade do atendimento e desigualdades no sistema de saúde.

A médica Cynthia Maxwell, especialista em medicina materno-fetal, que também participou do estudo, reforça que as diferenças persistem mesmo quando outros fatores são considerados, o que indica que o problema não está ligado apenas a condições individuais.

Caminhos para reduzir desigualdades

Os pesquisadores defendem mudanças na forma como os sistemas de saúde coletam e utilizam dados. Entre as sugestões estão o registro de informações raciais, a divulgação de dados detalhados e a criação de estratégias com participação das comunidades afetadas.

Também são citadas medidas como treinamento das equipes de saúde e ações para garantir atendimento adequado durante toda a gestação e após o parto.

Para os autores, entender essas diferenças é essencial para reduzir complicações evitáveis e melhorar o cuidado oferecido a todas as pessoas.