Pesquisadores italianos descobrem coronavírus em lágrimas

As secreções podem constituir outra fonte de contágio, sugere relato de caso clínico publicado em revista científica

atualizado 23/04/2020 19:06

Vanessa Bumbeers/Unsplash

O vírus Sars-CoV-2, responsável pela pandemia da Covid-19, também é ativo nas secreções oculares de pacientes positivos e, portanto, as lágrimas pode constituir outra fonte de contágio, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Nacional para Doenças Infecciosas Lazzaro Spallanzani (Inmi), de Roma, na Itália.

O estudo publicado pela revista Annals of Internal Medicine afirma que, no final de janeiro, os pesquisadores conseguiram isolar o vírus a partir de uma amostra ocular realizada três dias após a internação de um paciente positivo e com conjuntivite bilateral.

De acordo com o estudo, isso mostra que, além do sistema respiratório, o Sars-CoV-2 também é capaz de se replicar nas conjuntivas. Trata-se de uma descoberta com implicações importantes para a saúde pública, tanto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitou informações sobre o estudo quando ele ainda estava na fase preliminar.

“Esta pesquisa mostra que os olhos não são apenas um dos portais para o vírus entrar no corpo, mas também uma fonte potencial de contágio”, disse Concetta Castilletti, diretora da Unidade Operacional sobre Vírus Emergentes do Laboratório de Virologia Spallanzani.

A pesquisa também destacou que as amostras oculares podem ser positivas quando as nasais não mostram mais vestígios do vírus: na verdade, o paciente sob investigação, três semanas após a admissão, era negativo para o teste nasal, mas ainda fracamente positivo no olho.

Os pesquisadores explicam que agora “serão necessários mais estudos para verificar quanto tempo o vírus permanece ativo e potencialmente infeccioso nas lágrimas”.

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