Pesquisadores descobrem nova cepa do coronavírus em Nova York

Mutação B.1.526 estaria presente na cidade desde novembro de 2020. Especialistas acreditam que a variante é mais resistente às vacinas

atualizado 25/02/2021 14:14

ilustração coronavírusadoslav Zilinsky/GettyImages

Dois estudos norte-americanos confirmaram que há uma nova mutação do Sars-CoV-2 circulando em Nova York. Segundo eles, a variante do coronavírus está se espalhando rapidamente e pode diminuir a eficácia das vacinas existentes.

Denominada B.1.526, a nova cepa foi detectada pela primeira vez em amostras coletadas na cidade em novembro de 2020 e, em meados de fevereiro deste ano, já era responsável por cerca de uma em cada quatro sequências virais de um banco de dados compartilhado por cientistas.

Um dos trabalhos foi conduzido pelo grupo Caltech e divulgado na última terça-feira (23/2). O outro levantamento foi feito pela Universidade de Columbia e ainda não foi divulgado. Ambos os trabalhos aguardam revisão de outros pesquisadores para que sejam publicados em revistas científicas especializadas.

Na pesquisa da Caltech, os cientistas descobriram o aumento de casos envolvendo a cepa B.1.526 ao escanear mutações em milhares de sequências genéticas virais provenientes do banco de dados GISAID. “Havia um padrão recorrente em um grupo de isolados concentrados na região de Nova York que eu não tinha visto”, disse Anthony West, biólogo computacional da Caltech, em entrevista ao NY Times.

A análise mostrou que a frequência de duas outras versões do coronavírus também estava aumentando consideravelmente. A primeira seria a mutação E484K, observada na África do Sul e no Brasil e que parece ajudar o vírus a se esquivar parcialmente das vacinas. A segunda foi a mutação S477N, que pode afetar o quão firmemente o vírus se liga às células humanas.

Já o estudo da Universidade de Columbia foi feito a partir do sequenciamento de 1.142 amostras de pacientes com Covid-19. Cerca de 12% deles havia sido infectado com a variante que contém a mutação E484K. Em média, os infectados com esta mutação eram seis anos mais velhos que os contaminados pela versão “original” do coronavírus e apresentaram maior probabilidade de hospitalização.

Os contaminados eram residentes de bairros próximos ao hospital, porém os pesquisadores detectaram diversos casos espalhados pela área metropolitana de Nova York. O fato seria uma prova de que o surto não é isolado, mas sim generalizado.

A equipe da Universidade de Columbia também identificou seis casos da variante da Grã-Bretanha, dois da mutação brasileira e um da cepa sul-africana. Até então, nenhum caso da variante do Brasil ou da África do Sul havia sido detectado em Nova York.

Os casos foram relatados às autoridades sanitárias da cidade e ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Agora, a equipe de cientistas pretende sequenciar cerca de 100 amostras genéticas virais por dia para monitorar o aumento das variantes.

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