Pediatras americanos criam protocolo para diminuir a dor de injeções

Eles recomendam atitudes simples, como passar cremes anestésicos, colocar a criança no peito e distraí-la com bolhas de sabão

atualizado 15/01/2019 23:33

criança sendo vacinadaistock

Dia de vacina ou injeção costuma ser traumático para crianças. Há choro, lágrimas, gritos e sofrimento por parte dos pequenos, e o procedimento pode ficar gravado na memória – tanto que a maioria acaba desenvolvendo medo de agulha.

Segundo o médico Stefan Friedrichdorf, do hospital Children’s Minnesota, nos Estados Unidos, a ocorrência de algum procedimento traumático na infância está diretamente relacionada ao desenvolvimento de fobia de agulhas na vida adulta e também à relutância da população em tomar vacinas.

Por meio de uma iniciativa pioneira chamada Comfort Promise (promessa de conforto, em português), o hospital se comprometeu a fazer o possível para diminuir a dor durante as injeções. Em entrevista ao jornal The New York Times, o médico explica que é possível reduzir o desconforto e tornar o procedimento mais agradável. “Nós notamos que, desde o começo do protocolo, mudamos vidas. As crianças têm se mostrado cada vez menos sensíveis à fobia de agulhas.”

De acordo com Friedrichdorf, os profissionais de saúde devem oferecer quatro elementos para tornar a administração de medicamentos e a retirada de sangue menos desagradável:

Anestesiar a pele
Cremes de lidocaína, que diminuem a sensibilidade da pele, são vendidos livremente e considerados seguros para crianças, segundo o médico. O ideal é aplicar o produto meia hora antes do procedimento.

Deixar bebês amamentarem
Oferecer peito ou uma chupeta embebida em água com açúcar para nenéns com menos de 1 ano de idade é “espetacular”, diz o pediatra. A pesquisadora Christine Chambers, especializada em dor infantil, conta que, muitas vezes, a amamentação é mais efetiva do que a anestesia tópica.

Não segurar a criança com força
De acordo com Friedrichdorf, é muito traumático prender a criança para dar uma vacina ou injeção. Ele explica que o ideal é colocá-la no colo dos pais e são raras as situações nas quais não há tempo a perder e é preciso segurar os pequenos com força. Na maioria dos casos, distrair o paciente e lidar com a dor são suficientes.

Distrair o paciente
Um jogo no celular ou bolhas de sabão podem ser suficientes para desviar a atenção da criança da agulha e tornar o momento menos desagradável.

Segundo a doutora Chambers, os pais também precisam prestar atenção à própria postura para não passarem o nervosismo aos filhos. A pesquisa da médica revela que frases como “vai acabar logo” e “não vai doer tanto assim” são ditas com a melhor das intenções, mas podem ser percebidas como ansiedade e assustar ainda mais as crianças. Ela aconselha distraí-las ou dar sugestões sobre como lidar com o medo.

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