Após a menopausa, ovários podem assumir perfil de órgão imunológico
Pesquisa indica que o órgão continua ativo após o fim da fase reprodutiva e passa a apresentar funções ligadas ao sistema imunológico

Os ovários são conhecidos por produzir hormônios e liberar óvulos durante a vida reprodutiva. Após a menopausa, porém, sempre se acreditou que o órgão se tornava praticamente inativo. Um novo estudo da Northwestern University, nos Estados Unidos, sugere que isso pode não ser totalmente verdade.
Em um estudo feito com camundongos, os pesquisadores descobriram que os ovários continuam passando por mudanças e podem apresentar características semelhantes às de um órgão do sistema imunológico.

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Ver todasA pesquisa foi publicada em 10 junho na revista científica Molecular Human Reproduction. Para entender o que acontece com o órgão ao longo do envelhecimento, a equipe analisou ovários de camundongos jovens (2 meses), idosos ainda reprodutivos (18 meses) e pós-reprodutivos (24 meses), utilizando exames microscópicos e análise da atividade dos genes.
Como esperado, os ovários dos animais mais velhos apresentavam perda dos folículos, estruturas que armazenam os óvulos, além de maior acúmulo de colágeno, sinal de envelhecimento do tecido. A principal descoberta, porém, foi outra.
Os pesquisadores observaram que, após o fim da fase reprodutiva, o órgão passou a apresentar maior atividade de genes ligados à resposta imunológica.
Também identificaram aumento da presença de linfócitos T, macrófagos e células gigantes multinucleadas, tipos de células que participam da defesa do organismo.
Segundo os autores, isso indica que o ovário não permanece biologicamente inativo após perder a capacidade reprodutiva. Em vez disso, continua sofrendo alterações e pode assumir um perfil semelhante ao de um órgão envolvido em processos imunológicos.
Os cientistas também identificaram alterações em moléculas que podem ser liberadas pelos ovários e, futuramente, influenciar outros tecidos do corpo. Por enquanto, essa possibilidade permanece apenas como uma hipótese e dependerá de novas pesquisas.
Os autores ressaltam que os resultados foram obtidos exclusivamente em camundongos. Portanto, ainda não é possível afirmar que o mesmo processo ocorra em mulheres. A próxima etapa será investigar se o ovário humano também continua ativo após a menopausa e qual pode ser o impacto dessa atividade sobre o envelhecimento.


