Ortopedista alerta: osteoporose eleva risco de fraturas em homens
Osteoporose silenciosa pode causar fratura em um a cada cinco homens após os 50; especialistas reforçam diagnóstico e prevenção
atualizado
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A osteoporose, frequentemente associada às mulheres, também representa um risco importante para a saúde masculina. Dados do Ministério da Saúde indicam que um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerá ao menos uma fratura ao longo da vida em decorrência da osteoporose, condição caracterizada pela perda progressiva da massa óssea.
Apesar do impacto, o diagnóstico da doença entre homens ainda costuma ser tardio. Segundo o ortopedista Bruno Rudelli, que atende no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, a condição segue subestimada na população masculina.
De acordo com o especialista, das 8,9 milhões de fraturas registradas anualmente no mundo por causa da osteoporose, entre 20% e 25% ocorrem em homens. O problema pode ter consequências graves, principalmente quando envolve fraturas de quadril.
“Uma fratura de quadril nem sempre é um incidente isolado, pode ser um sinal de fragilidade óssea que poderia ter sido diagnosticada e tratada antes. Se 20% dos homens acima de 50 anos têm risco de fratura, não podemos mais tratar a osteoporose como um problema exclusivamente feminino”, afirma Rudelli.
Outro dado preocupante é a mortalidade associada a esse tipo de lesão. Segundo o Ministério da Saúde, até 20% dos homens podem morrer no ano seguinte após uma fratura de quadril.
Por que a osteoporose em homens costuma passar despercebida
A reumatologista Sandra Maria Andrade, do Hospital Santa Lúcia Sul, explica que a osteoporose costuma evoluir de forma silenciosa em ambos os sexos, mas no caso masculino o processo tende a ser ainda mais discreto.
Isso ocorre porque, enquanto nas mulheres a perda óssea se acelera após a menopausa devido à queda abrupta do estrogênio, nos homens a diminuição da testosterona acontece de maneira lenta e gradual, no processo conhecido como andropausa.
Além disso, a maior massa muscular masculina pode oferecer certa proteção inicial às articulações e aos ossos. “Por esse motivo, a osteoporose no homem raramente é investigada de rotina. Muitas vezes o diagnóstico só acontece depois de uma fratura causada por trauma mínimo”, explica a especialista.
Fatores que aumentam o risco de osteoporose
Diversos fatores podem contribuir para a redução da densidade mineral óssea ao longo da vida. Entre os principais estão:
- Alimentação pobre em cálcio durante infância e adolescência;
- Sedentarismo;
- Baixa exposição ao sol e deficiência de vitamina D;
- Doenças crônicas que afetam a absorção de nutrientes;
- Uso prolongado de corticoides.
Segundo Sandra, hábitos adquiridos ainda na juventude influenciam diretamente a saúde óssea na idade adulta.
“A maior parte do capital de cálcio dos ossos é formada na infância e adolescência. Após os 21 anos, o homem já adquiriu a maior parte dessa reserva de mineralização óssea”, explica.
Quando investigar a saúde dos ossos
Especialistas recomendam que os homens iniciem a avaliação da densidade mineral óssea, exame conhecido como densitometria óssea, por volta dos 60 anos. O teste é considerado o padrão-ouro para identificar a perda de massa óssea e orientar tratamentos preventivos.
No entanto, a investigação pode ser indicada mais cedo quando existem fatores de risco ou histórico familiar da doença.
A avaliação precoce é considerada essencial para reduzir o risco de fraturas e as complicações associadas à osteoporose, especialmente em uma população que ainda raramente associa a doença à saúde masculina.
