Órgão dos EUA relata em detalhes casos de coronavírus em gatos

Estudo da One Health ajuda a entender quais são os sintomas apresentados pelos felinos, como contraíram a Covid-19 e os cuidados necessários

atualizado 09/06/2020 18:02

Gatos em ambiente fechadoMario Tama/Getty Images

Os dois primeiros gatos domésticos confirmados com o novo coronavírus nos Estados Unidos serviram de base para um estudo da One Health, a fim de identificar o comportamento do Sars-CoV-2 em animais. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) divulgou em detalhes o que se sabe sobre contágio, transmissão e cuidados após os felinos testarem positivo.

O CDC e o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) relataram casos de dois gatos domésticos com infecção confirmada por Sars-CoV-2 em abril. Eles tiveram origem em casas separadas e foram epidemiologicamente vinculados a casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 nos próprios donos. Os gatos apresentaram doença respiratória com duração de oito a 10 dias e se recuperaram completamente. Veja detalhes do estudo:

O que já se sabe sobre os animais em relação a Covid-19?

Um pequeno número de animais em todo o mundo, incluindo cães, gatos, tigres e leões de zoológicos, foram infectados com Sars-CoV-2, sobretudo por suspeita de transmissão homem-animal.

Sintomas nos gatos norte-americanos confirmados com Covid-19

O primeiro caso foi registrado em 24 de março, no condado de Nassau. Um macho de quatro anos desenvolveu doença respiratória caracterizada por espirros, secreção ocular clara e letargia leve. Em 1º de abril, o pet foi levado ao veterinário. Ele estava acima do peso e com uma temperatura corporal normal (38,6°C). Após testar negativo para afecções já registradas em felinos, a amostra foi testada usando um exame de diagnóstico de PCR para transcrição reversa Sars-CoV-2. No dia 14 de abril, houve a confirmação da contaminação pelo novo coronavírus.

O segundo felino registrado com Covid-19 é uma fêmea, de 5 anos. Em 1º de abril, ela também deu entrada no veterinário com espirros, secreção ocular clara e letargia leve, além de tosse e perda de apetite. O painel de PCR respiratório felino teve um resultado positivo para Mycoplasma felis e resultados negativos para outros patógenos respiratórios comuns. Assim como no primeiro caso, houve a testagem para Sars-CoV-2 e, em 14 de abril, veio a confirmação da infecção pelo novo coronavírus.

Condição de vida dos gatos e possível locais de contaminação

A partir da confirmação dos casos, foi feita uma investigação epidemiológica conjunta entre órgãos estaduais. O objetivo era saber a condição de vida dos gatos, condição de saúde, possíveis fontes de infecção e os riscos apresentados por esses animais para outros animais dentro e fora de casa e para os seres humanos.

O primeiro gato morava em um apartamento com cinco pessoas. Três delas haviam mostrado sinais de doença respiratória leve, incluindo febre, tosse e sudorese, mas ninguém foi testado para o novo coronavírus. O primeiro membro da família começou a sentir os sintomas em 15 de março, nove dias antes de o gato ficar doente. O condomínio onde fica o apartamento registrou casos de Covid-19 em humanos na mesma época. Um outro gato que vivia na casa, porém, permaneceu saudável e não foi testado para Sars-CoV-2. Ambos os gatos eram mantidos em ambientes fechados, mas, ocasionalmente, se aventuravam do lado de fora.

Já a fêmea do segundo caso vive em domicílio com apenas uma pessoa. A dona desenvolveu febre, tosse produtiva, calafrios, dores musculares, dor abdominal, dor de cabeça, diarreia, dor de garganta e fadiga em 24 de março, oito dias antes de o gato ficar doente. A mulher testou positivo para Sars-CoV-2. Já um segundo gato da casa, de 7 anos, permaneceu saudável e não foi testado. Ambos vivem em ambiente fechado.

Anticorpos e curados

Os estudos com ambos os gatos avançaram e eles se recuperaram da doença após 11 e seis dias, respectivamente, antes do início da investigação epidemiológica. Os dois apresentaram anticorpos neutralizadores de vírus específicos para Sars-CoV-2, mas o isolamento do vírus na cultura de células da coleta subsequente de amostras não teve êxito, provavelmente devido à eliminação do micro-organismo.

Quais são as implicações para a prática de saúde pública?

A transmissão de Sars-CoV-2 pode ocorrer, de forma ocasional, de humano para animal. Sabe-se que os animais representam um número baixo na disseminação da Covid-19, mas as pessoas com a doença devem evitar o contato com eles. Assim como a recomendação para humanos, os pets com resultado positivo devem ser monitorados e separados de pessoas e outros animais até que se recuperem.

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