Ômicron: cientista explica que número de mutações não define gravidade

Pesquisador afirma que mutações na Delta são mais perigosas. Ômicron tem mais mudanças no genoma, mas não parece ser mais transmissível

atualizado 02/12/2021 13:01

coronavirus ilustraçãoPixabay

Desde que a variante Ômicron foi identificada por pesquisadores da África do Sul e reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como sendo de “preocupação”, cientistas do mundo inteiro tentam entender se a nova cepa pode causar novas ondas da Covid-19 e ser mais perigosa do que a Delta, predominante no mundo inteiro.

De acordo com o virologista Robert Garry, da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, apesar de a Ômicron ter 50 mutações (sendo 32 delas na proteína spike, usada pelo vírus para invadir as células humanas), elas não significam, necessariamente, que a nova variante é mais transmissível ou letal.

A Ômicron não tem as três mutações que tornam a Delta mais transmissível, por exemplo. “Todas as mudanças importam para o vírus, mas não sabemos como ainda. Mas as que poderiam afetar a transmissibilidade, ela não tem. Não vejo como ela poderia ter uma vantagem forte e real sobre a Delta“, afirma Garry, em entrevista à CNN Internacional. Para ele, o grande questionamento é se as variantes vão competir no mundo real.

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O epidemiologista e cientista genético Trevor Bedford, da Universidade de Washington, também nos Estados Unidos, acredita que a Ômicron teria uma transmissibilidade similar à variante Gama, identificada pela primeira vez no Brasil.

O pesquisador lembra ainda que algumas das mutações que aumentam a transmissibilidade foram vistas em variantes que já desapareceram, como a Kappa, e, por isso, não são determinantes para o sucesso de uma cepa.

Garry explica que a preocupação sobre se a Ômicron consegue escapar da proteção das vacinas é justa, e que as farmacêuticas deveriam estar trabalhando para desenvolver imunizantes específicos para a nova cepa. Porém, ele acredita que pessoas já vacinadas podem estar protegidas de quadros graves da Covid-19 causada pela nova variante.

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