Ômega-3 pode afetar negativamente cérebros lesionados, aponta estudo

Em estudo feito com ratos lesionados com traumatismos cranianos leves, o consumo de ômega-3 levou eles a ter um desempenho cognitivo pior

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

carlosgaw/ Getty Images
A imagem é composta por uma peça de salmão na cor laranja. Atrás do peixe há um folhas verdes e um brócolis. Na frente, há um vidro com capsulas de ômega 3
1 de 1 A imagem é composta por uma peça de salmão na cor laranja. Atrás do peixe há um folhas verdes e um brócolis. Na frente, há um vidro com capsulas de ômega 3 - Foto: carlosgaw/ Getty Images

Apesar de ser reconhecidamente um aliado que ajuda a melhorar as funções cerebrais, nem sempre o consumo de ômega-3 faz bem para o órgão central do sistema nervoso. Segundo um novo estudo, o ácido eicosapentaenoico (EPA), um dos principais ácidos graxos do ômega-3, pode atrapalhar processos de reparação do cérebro. 

A constatação veio de uma pesquisa realizada com ratos com traumatismos cranianos leves. Na investigação, ao realizar tarefas de memória e aprendizagem, animais que consumiram dietas ricas em EPA tiveram desempenhos inferiores. 

Além do EPA, o ômega-3 tem um outro ácido graxo principal de origem animal, o ácido docosahexaenóico (DHA) – este último considerado essencial para a construção e manutenção das células cerebrais. No trabalho, ao contrário do EPA, o DHA não interferiu negativamente.

Para os autores, é essencial ter a clareza do que os efeitos do ômega-3 podem causar a longo prazo, visto que o uso do suplemento tem sido altamente difundido nos tempos atuais.

“Em termos de neurociência, ainda não sabemos se o cérebro apresenta resiliência ou resistência a esse suplemento. É por isso que o nosso é o primeiro estudo desse tipo na área”, diz um dos autores do estudo, Onder Albayram, em comunicado.

A descoberta foi liderada por Albayram, que é neurocientista da Universidade Médica da Carolina do Sul (MUSC), nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados na revista Cell Reports em meados de março.

Os efeitos do ômega-3 no cérebro

As conclusões do estudo vieram através dos animais com traumatismos cranianos leves e a investigação em células do tecido cerebral humano de indivíduos afetados por encefalopatia traumática crônica (ETC), uma doença neurodegenerativa progressiva.

Nas análises, foi detectado que o EPA afetou a regeneração dos vasos sanguíneos cerebrais. Como consequência, o processo de recuperação do órgão pós-trauma também foi prejudicado. Além disso, o efeito do ácido graxo nos vasos sanguíneos levaram ao acúmulo de proteínas tau tóxicas, que estão ligadas à degeneração cerebral.

Já na investigação das células humanas, foram encontradas um tipo parecido com disfunção metabólica e prejuízos aos vasos sanguíneos. Segundo os pesquisadores, os suplementos de ômega-3 com níveis maiores de EPA podem atrapalhar a recuperação celular e aumentar os efeitos de concussões leves.

Por outro lado, os pesquisadores avaliam que são necessários mais testes, visto que a maioria dos achados ocorreram em avaliações com animais. Além disso, eles esclarecem que a descoberta não quer dizer que o ômega-3 não possa ser benéfico – isso dependerá de cada cérebro.

“Essa ideia de que o óleo de peixe oferece um benefício universal não se sustenta quando começamos a investigar as interações. Mas isso não significa que seja ruim para você”, avalia um dos autores, Onur Eskiocak.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSaúde

Você quer ficar por dentro das notícias de saúde mais importantes e receber notificações em tempo real?